Inadimplência cresce neste início de ano
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 2003
Caio Prates<br> Agência Estado 
São Paulo Os índices de inadimplência de janeiro de 2003 apresentaram alta. Pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revela que a inadimplência líquida - indicador de tendência que mede o saldo entre os novos carnês inadimplentes descontado dos financiamentos em atraso que foram renegociados - atingiu em janeiro 6,1%, ante 5,4% em igual período de 2002. Já o estudo realizado pelo Telecheque apontou que a inadimplência nas compras com cheques em todos País chegou a 2,47%, no mês passado. Em dezembro de 2002, o Telecheque tinha registrado inadimplência de 1,24%.
Analistas acreditam que a inadimplência permanecerá em alta nos três primeiros meses do ano devido à pressão sobre os índices de inflação. O aumento de gastos nesta época, com o pagamento de compras financiadas no Natal e o vencimento de impostos, também contribui para a elevação dos índices de inadimplência. ''No começo do ano, existe um número maior de vencimentos de contas para o consumidor. Quem financiou ou realizou as compras de Natal com cheque pré-datado para prazos mais longos tem um risco maior de cair na situação de inadimplência'', explica a gerente de marketing da Telecheque, Patrícia Monteiro.
O economista da ACSP, Marcel Solimeo, destaca que a elevação dos índices de inflação também influencia o comportamento da inadimplência nos próximos meses. ''Os consumidores já estão vivendo numa situação limite de seu orçamento. O salário não acompanha os reajustes de tarifas públicas e impostos'', ressalta.
Solimeo avisa que o consumidor que não planeja seu orçamento e não mantém uma reserva para momentos de dificuldade corre um maior risco de se tornar um inadimplente neste período. ''Início do ano é momento de pagar impostos, matrícula e material escolar, além de eventuais compras financiadas no período do Natal.'' Ele destaca que é essencial o consumidor sempre contar com um dinheiro guardado para margem de segurança para momentos em que os preços sobem e as dívidas se acumulam.
A gerente do Telecheque também destaca a questão do alto índice de desemprego e a baixa reposição salarial como riscos para a inadimplência. ''O aumento diário do desemprego é um dos principias fatores que influenciam os índices de inadimplência. Por isso, antes de fazer uma compra com cheque pré-datado por período muito extenso, o consumidor deve avaliar o risco de não honrar seus compromissos, caso fique em uma situação de desemprego'', avisa Patrícia Monteiro.


