Carmem Murara
De Curitiba
Os consumidores que adotam o crediário como forma de pagamento de suas contas no comércio começam a dar evidências de que estão conseguindo honrar mais os compromissos. A inadimplência continua subindo, mas em ritmo menos acelerado em relação aos meses anteriores e ao mesmo período no ano passado. Dados divulgados ontem pela Associação Comercial do Paraná indicam que julho apresentou a menor variação dos últimos seis meses, ficando em 0,39%, contra 0,84% em junho e de 1,5% em maio.
Os números dão esperanças aos lojistas que, otimistas, esperam um segundo semestre mais aquecido em vendas. Hoje, o atraso no pagamento do crediário atinge 41,1% da população economicamente ativa da região metropolitana de Curitiba. No final do ano passado, metade dos consumidores era considerada inadimplente, pois estava com uma ou mais prestações atrasadas por um período superior a 30 dias.
Uma das explicações para o desaceleramento da inadimplência é a própria falta de crédido dos consumidores, que com o ‘‘nome sujo na praça’’ são obrigados a adiar as compras ou fazer o pagamento à vista. O aumento das consultas ao Videocheque (sistema que indica ao lojista se o cheque é do consumidor e serve para indicar as vendas à vista) teve um crescimento de 5,8% entre julho deste ano e o mesmo mês no ano passado. ‘‘O consumidor continua a optar pela compra à vista’’, ressaltou ontem o vice-presidente de Serviços da Associação Comercial do Paraná, Élcio Ribeiro.
As consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito, que servem como termômetro para as vendas no crediário, apresentaram uma queda de 6,8% em comparação a julho de 1998. Em relação ao mês de junho, houve um aumento de 1,7%, o que indica um pequeno aquecimento nas vendas.
O vice-presidente da ACP disse que o setor espera agora uma maior sensibilidade das financeiras para que reduzam juros aos consumidores. As financeiras ainda praticam taxas entre 7% e 9%, sendo que não há uma redução proporcional à queda das taxas determinadas pelo Banco Central.

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