Inadimplência cresce 11% em Curitiba
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
O comércio curitibano ainda sente os efeitos negativos das vendas natalinas feitas no crediário. As prestações assumidas em dezembro não estão sendo pagas pelos consumidores. A inadimplência no mês passado foi 11% maior do que a registrada em março. Os números foram apresentados ontem pelo Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). As vendas apresentaram um ligeiro aumento que ficou em torno de 2% no mesmo período.
O índice da inadimplência foi o maior desde maio do ano passado, quando a Associação Comercial do Paraná registrou um crescimento recorde de 384 pontos em relação a julho de 1994 (data tomada como base por ser o mês de implantação do Plano Real). No mês passado, o crescimento foi de 290 pontos.
As vendas estão aquecidas e o número de pessoas que compram e não pagam continua alto. Nem mesmo as últimas medidas adotadas pelo governo federal para conter o consumo são vistas como eficientes pelos comerciantes. O aumento da taxa do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não atingirá as vendas de produtos pequenos, como eletrodomésticos, afirmou o coordenador do SCPC, Luiz Nardeli.
O aumento do IOF vai incidir basicamente em cima da venda de automóveis, viagens financiadas para o exterior e produtos de grande valor, que são parcelados. Hoje, 80% das vendas são a prazo no comércio paranaense.
Como a maioria das vendas é de produtos com menor valor aquisitivo, a medida do governo não será sentida pelo comércio. Além disso, somente as lojas que recorrem ao sistema financeiro para lastrear suas vendas a prazo seriam prejudicadas. As grandes redes de lojas se sustentam sem recorrer a empréstimos.
As vendas no comércio continuam aquecidas porque há uma demanda reprimida desde o período anterior ao Plano Real. As classes C e D descobriram no crediário a alternativa para ter dentro de casa os chamados sonhos de consumo, que são os freezers, TVs, microondas, aparelhos de som e toda a linha de eletrodomésticos. A população tem direito a ter acesso aos produtos, defende Nardeli.
IntegraçãoA partir deste mês, as capitais Vitória (ES), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP) e Curitiba (PR) estão interligadas pelo Serviço de Proteção ao Crédito. Através de um sistema de computador, todo consumidor que deixou de pagar uma conta em uma destas cidades poderá ser localizado e ter o crédito suspenso por um lojista de outro Estado. A troca de informações é um embrião do SPC nacional.


