Inadimplência cresce 10,9% em dois anos
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
Flavio Leonel<br>Agência Estado 
São Paulo A inadimplência total (pessoa física e jurídica) no País apresentou aumento de 10,9% no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004, durante os dois primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, mas representou forte desaceleração, se comparado com o biênio anterior (2001/2002), que registrou alta acumulada de 55,2%. A informação foi divulgada ontem pela Serasa, por meio de um levantamento que inclui registros de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos, cartões de crédito e financeiras.
De acordo com a Serasa, o indicador de inadimplência de pessoa jurídica mostrou crescimento de 3,2% nos dois primeiros anos do governo atual, com um número bastante inferior aos 30% registrados em 2001/2002. A inadimplência de pessoa física cresceu 15,2%, mas também ficou bem abaixo, quando comparada à verificada no biênio anterior, com expressivos 57,7%.
A Serasa destaca que a melhora no indicador pode ser justificada pela realização de novos negócios, motivados, principalmente, pelo desempenho do setor exportador, em especial o agronegócio. Tais negócios teriam propiciado a geração de recursos que, por sua vez, possibilitaram às empresas a administração do orçamento de um modo mais equilibrado e a realização do pagamento de seus compromissos.
''As empresas exportadoras souberam aproveitar o momento e aumentaram seu nível de atividade, causando uma reação em cadeia na economia, inicialmente atingindo seus parceiros diretos e, em um segundo momento, alcançando outros setores da economia'', dizem os técnicos da Serasa, lembrando que os anos anteriores ao governo Lula foram marcados por períodos de racionamento de energia, incertezas eleitorais, elevado patamar da taxa de desemprego, queda da renda média real dos trabalha dores e alta taxa de juros.
Dentre os fatores que influenciaram para que o crescimento da inadimplência fosse maior entre os consumidores do que nas empresas, a Serasa salientou o descompasso ocorrido na difusão do processo de recuperação da atividade econômica, pois o crescime nto teria atingido primeiro as companhias que, posteriormente, incorporaram mais empregados ao mercado de trabalho. ''Apesar do crescimento econômico em 2004 ter proporcionado aumento da massa salarial, não permitiu recuperar o poder aquisitivo, uma vez que a renda média real ficou em torno de R$ 908, durante o ano de 2004, contra R$ 1.041 em 2002'', acrescentam os técnicos.


