A inadimplência dos alunos com instituições de ensino fundamental, médio e superior de todo o Brasil cresceu 22,6% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado. No primeiro semestre de 2014 comparado a 2013, a inadimplência nas escolas havia apresentado queda de 1,3%. Os dados fazem parte de um estudo realizado pela Serasa Experian.
Ao considerar as contas em atraso com escolas de ensino fundamental e médio, o aumento no primeiro semestre foi ainda maior, 25,9%. No primeiro semestre de 2014, comparado a 2013, a inadimplência nas escolas havia apresentado queda de 10,7%. Já nas universidades, o crescimento da inadimplência dos alunos foi de 22,4% no primeiro semestre de 2015. No mesmo período de 2014, em comparação com o primeiro semestre de 2013, houve queda de 0,9%.
Os crescimentos da inadimplência dos estudantes com instituições de ensino são superiores aos apresentados pelo Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, que encerrou o primeiro semestre de 2015 com crescimento de 16,4%, na comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o estudo.
O economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, disse que a inadimplência está subindo em todos os setores este ano por conta do aumento da inflação, dos juros e do desemprego. Segundo ele, muitas vezes as pessoas preferem deixar atrasar a mensalidade escolar no lugar de outras contas porque sabem que gera menos transtorno do que uma tarifa de energia, por exemplo.
O presidente do Sindicato das Escolas Particulares do Norte do Paraná, Alderi Ruiz Ferraresi, estima que o índice de inadimplência em Londrina está em 7%. Segundo ele, o índice tem crescido, mas nada que assuste as escolas e também não chega a 25,9% como na média nacional apontada pela Serasa. Ferraresi explica que o aluno inadimplente pode continuar frequentando as aulas e realizando provas, mas a escola pode não realizar a matrícula do próximo ano letivo. Ele disse que o maior custo das escolas é com folha de pagamento que compromete 60% da receita. O dirigente comentou que, neste ano, ocorreram poucas demissões e que as escolas têm buscado economizar em outros custos como água, luz e outras despesas operacionais.
A vice-presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Elizabeth Guedes, disse que a inadimplência depende da localidade e do porte da universidade. De acordo com dados da entidade, a inadimplência ficou estável no primeiro semestre do ano. "As famílias elegeram como prioridade (nas contas) a educação", avaliou. Mas, segundo ela, não há como prever como deve se comportar a inadimplência em relação às mensalidades neste segundo semestre. Elizabeth informou que a média de inadimplência no primeiro semestre ficou em 8%, segundo dados da Anup, e que diferem das informações do Serasa.
A entidade representa 56 universidades brasileiras. Elizabeth esclareceu que, quando o aluno está com mensalidades atrasadas, continua a participar das aulas e fazer provas, mas a universidade pode recusar a permanência do estudante na instituição no ato da nova matrícula, caso não pague os valores devidos.
Na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a inadimplência de janeiro a junho de 2015 foi de 12,36%. No mesmo período do ano passado, o índice ficou em 11,75%. A universidade esclareceu que as situações de inadimplência são resolvidas caso a caso. A Universidade Tuiuti informou que a inadimplência tem se mantido na faixa de 12% em 2014 e neste ano.

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