A intenção de consumo das famílias paranaenses reduziu o ritmo de queda registrada desde novembro do ano passado, enquanto o pagamento de dívidas subiu e a inadimplência caiu nos primeiros cinco meses do ano. Por outro lado, o acesso ao crédito continua difícil para os consumidores. É o que apontam indicadores da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR) e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) divulgados ontem.
A desaceleração no avanço da inadimplência foi identificada com base nos dados de mais de 27 mil empresas de 251 cidades paranaenses. O Índice de Regularização de Dívidas mostra um avanço de 6,9% em maio, em relação ao mesmo período do ano anterior – 2015 registrou piora de 1% quando comparado com o ano retrasado.
A regularização das dívidas também levou à melhora de índices de inadimplência, que caiu 2,7% em relação a maio de 2015. Por outro lado, o registro de novas dívidas aumentou 3,1% em maio, de acordo com o Índice Faciap de Registro de Dívidas. "Não que a inadimplência não exista, mas cresceu menos neste período", diz o diretor administrativo-financeiro da Faciap e coordenador da Base Centralizadora Faciap (BCF) de Proteção ao Crédito, Edson de Araújo Filho.
Paralelo ao "freio" no avanço da inadimplência, o indicador de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculado pela Fecomércio, registrou queda de -0,4%. O índice de intenção de consumo foi calculado em 80 para o mês de junho, contra 102,6 no mesmo mês do ano passado. A queda, entretanto, reduziu a velocidade em comparação à registrada desde novembro passado.
O indicador é a análise de sete fatores (Emprego atual; Perspectiva profissional; Renda Atual; Acesso ao crédito; Nível de consumo Atual; Perspectiva de consumo; e Momento para duráveis) e deve ficar acima dos 100 pontos para ser considerado positivo.

Sintoma
O diretor de Planejamento e Gestão da Fecomércio, Rodrigo Rosalem, ressalta que a percepção das famílias em relação ao crédito foi a única variável com valor negativo (-7,7%) considerável entre os itens que compõem o índice, ao contrário dos meses anteriores. "Se não fosse por isso, provavelmente teríamos tido uma recuperação. Mas agora temos, a princípio, o sintoma [de retração] bem identificado, o de acesso ao crédito. De resto, estamos falando de positivo para os outros itens em relação ao mês anterior", comemora Rosalem.
O Indicador de Intenção de Compra a Crédito, da Faciap, mantém índices estáveis desde o início do ano. Para Araújo Filho, os indicadores demonstram que 2016 ainda não é um ano bom, mas melhor que 2015 – o Ific registrou números negativos em 11 dos 12 meses do ano passado. "A informação nacional indica que, até maio, houve aumento na demanda por crédito no varejo de 2,5% e, no Paraná, foi de 4,1%. Isso indica que o Sul está menos pior que a maior parte do país e o Paraná se destaca por ter retomado o caminho de volta aos bons números desde novembro do ano passado", afirma.
Para Rosalem, a percepção das famílias em relação ao acesso ao crédito é pessimista porque, ao longo dos anos, os empréstimos foram facilitados, ao contrário do que ocorre no cenário econômico atual. Além disso, o acesso fácil no passado pode prejudicar novos empréstimos agora, devido a possíveis casos de inadimplência.

Olho na inadimplência
O advogado Caio Marcelo Rebouças de Biasi, consultor do Sescap-LDR (sindicato que representa empresas do ramo contábil em Londrina e Região), ministra palestra hoje para associados com dicas para auxiliar empresas a saírem das dívidas ou para evitar que caiam no vermelho. Para o especialista, a redução no avanço da inadimplência pode ter a ver tanto com a adoção de mais critérios nos gastos quanto no acesso dificultado ao crédito. "Acredito que grande parte dos conceitos explicados hoje são aplicáveis na maioria dos setores e também para o consumidor final", diz.

Imagem ilustrativa da imagem Inadimplência cai entre os paranaenses
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