O percentual de consumidores londrinenses que não conseguiram pagar suas dívidas caiu mais de 50% em dezembro, mas ao mesmo tempo também diminuiu o número de pessoas que saíram do cadastro de devedores. Segundo dados do SPC/Acil (Serviço de Proteção ao Crédito da Associação Comercial e Industrial de Londrina) divulgados nesta quarta-feira (7), no último mês de 2025 o ritmo de negativações ficou 51,5% abaixo do registrado em dezembro de 2024 enquanto a quantidade de pessoas que deixaram a lista de inadimplentes também reduziu, em 41,6%.

No acumulado do ano, o cenário foi o mesmo. O volume de negativações caiu 28,4% e a parcela dos consumidores que recuperaram o crédito ficou 23,1% abaixo de todo o ano de 2024. A Acil avalia que a queda nas regularizações foi ocasionada por fatores sazonais relacionados ao fim do ano.

Em relação às consultas ao SPC/Acil, realizadas pelos lojistas, dezembro teve alta de 4,63%, indicando maior intensidade de análise de crédito no comércio, compatível com o aumento das compras a prazo realizadas no final do ano.

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De janeiro a dezembro, no entanto, as consultas diminuíram 6,11% ante o mesmo intervalo de 2024, sugerindo menor tração média no decorrer do ano, embora com sinais de reação no último mês.

O economista e consultor econômico da Acil, Marcos Rambalducci, avaliou que os dados são compatíveis com um mercado de trabalho aquecido em 2025, porém com renda média relativamente baixa, mantendo o orçamento doméstico “pressionado”. “Nesse cenário, as famílias assumiram menos riscos e monitoraram melhor o comprometimento das contas. Isso explica a redução nas negativações, enquanto sair da inadimplência ficou mais difícil para quem já estava negativado”, disse Rambalducci. “O sistema ganha fôlego na porta de entrada, mas a porta de saída segue estreita por restrição de renda e custo do crédito.”

Segundo o economista, o movimento observado ao longo do ano passado está de acordo com projeções e pesquisas que indicam melhora do varejo em 2026, incluindo expectativa majoritária de aumento de vendas captada no comércio local. Com esses resultados, afirmou Rambalducci, embora parte dos consumidores mantenha as restrições e limitações de crédito, em um ambiente de juros elevados, o efeito mais provável é um varejo operando com maior cautela na concessão de crédito e com recuperação do poder de compra mais lenta para quem já tem o nome na lista de negativados, o que não impede, necessariamente, alguma reação em datas sazonais ou em segmentos com renda mais resiliente.

Paraná

No Paraná, a pesquisa da Fecomércio PR e da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) publicada no início de dezembro com os dados referentes a novembro, mostrou estabilidade no nível de endividamento das famílias. O levantamento apontou que 85,3% da população do Estado possuíam algum tipo de dívida, como cartão de crédito, carnês, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos ou seguros. O índice manteve-se estável desde julho, situação que coloca o Paraná na 11ª colocação do ranking nacional de endividamento.

No penúltimo mês do ano passado, o total de endividados era 4,2% menor do que em novembro de 2024, quando 89,5% dos paranaenses possuíam dívidas. O percentual de contas em atraso diminuiu de um ano para outro, caindo de 14,1% em 2024 para 12,0% em 2025, assim como a parcela dos consumidores que não tinha condições de pagar, que baixou de 2,9% para 2,4% de um ano para outro.

Mas o total de endividados no Paraná no último mês de novembro ficou acima da média nacional, que foi de 79,2%. O cartão de crédito é a principal modalidade de endividamento no Estado, citado por 95,1% dos entrevistados na pesquisa da Fecomércio PR com a CNC. Na sequência, estão o financiamento de veículos (6,5%), financiamento imobiliário (6%), carnês (4,2%) e crédito pessoal (2%).

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