O número de londrinenses incluídos no Serasa vem diminuindo sensivelmente nos últimos meses na comparação com o ano passado. Em fevereiro, foram 9,7% menos inclusões. Em março, a redução foi de 18%, e, em abril, de 32%. A comparação é sempre com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, a queda é de 20%. Os números são da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e podem parecer uma boa notícia. Mas não são. Há cada vez menos inadimplentes porque há cada vez menos gente comprando.
Também vem diminuindo, nos últimos dois meses, o número de pessoas que limparam seu nome na praça. Em abril, a redução foi de 9,3% e, em março, de 1,5%. Já nos dois primeiros meses do ano, provavelmente devido ao 13º salário recebido em dezembro, muita gente acertou suas contas. Em janeiro, o número de exclusões do cadastro foi 26% maior e, em fevereiro, 7,4% maior. No acumulado do ano, o saldo ainda é positivo em 4,53%.
Economista e consultor da Acil, Marcos Rambalducci comenta: "Parece muito bom que a inadimplência tenha caído 32% só em abril. Mas, por trás deste número, está uma performance muito ruim da economia. As pessoas não estão conseguindo comprar a crédito. Pouca gente comprou, logo, pouca gente entrou no Serasa."
Rambalducci considera que parte dos consumidores deixou de comprar não porque está sem dinheiro, mas por insegurança. Com medo do futuro, eles teriam preferido poupar. Para o economista, quando melhorar o cenário político e econômico do País e aumentar o otimismo das pessoas, haverá uma demanda por crédito represada. "Num futuro próximo, pode haver muita gente pronta para gastar", alega.

Cautela
Diretor Comercial da Acil e da rede varejista Móveis Brasília, Fernando Moraes concorda com o economista. "O consumidor está muito cauteloso, com medo de perder emprego, se planejando melhor. Não necessariamente está sem dinheiro", afirma. Por outro lado, o empresário ressalta que o crédito está mais escasso e caro, o que compromete as vendas.
Já o diretor de Planejamento e Gestão da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), Rodrigo Sepulcri Rosalen, tem uma visão mais pessimista do quadro. "O consumidor não compra porque não tem dinheiro", declara. Ele conta que, no Paraná, o endividamento vem diminuindo nos últimos quatro meses, mas alega que esse fato "evidencia a retração do consumo e a descapitalização dos consumidores diante do crescente desemprego e inflação".
Rosalen afirma que o brasileiro está retirando dinheiro da poupança para cobrir o dia a dia. E não o contrário. "Se estivesse poupando poderíamos dizer que ele não está comprando porque está inseguro", argumenta. O diretor não descarta que o "fator psicológico" seja responsável por parte da redução do consumo. Mas acha que esta é a realidade da minoria.
Segundo a Fecomércio, o número de endividados no Paraná chegou a 83% da população no mês passado, contra 59,6% da média brasileira. Entre os endividados, 26% estão com as contas atrasadas e, destes, 10% reconhecem que não conseguirão pagar o que devem. O levantamento da entidade ainda mostra que, nas famílias com rendimento total superior a dez salários mínimos, 50% afirmam que terão condições de pagar suas dívidas. Já entre aqueles com renda abaixo de dez salários, apenas 28% têm condições de pagar totalmente suas pendências financeiras.

Imagem ilustrativa da imagem Inadimplência cai e revela retração do consumo
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