Inadimplência bate recordes em maio
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Agência Estado 
A inadimplência voltou a preocupar o comércio em maio, mês em que, tradicionalmente, os índices de atraso no pagamento de prestações costumam encolher. No mês passado, o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) incluiu em seus cadastros 278.493 novos registros de carnês atrasados, um recorde. O volume é 57,5% superior ao de maio de 1996 e 2,7% maior que o de abril deste ano.
Entre os fatores que estão por trás desse incremento da insolvência, o economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), aponta a ampliação dos prazos de financiamento, um fator que reforça a exposição ao risco do credor. Hoje, é possível parcelar a compra de carro em 36 vezes e existem lojas que financiam aparelhos eletrodomésticos em até 24 meses.
Solimeo afirma ainda que o próprio crescimento do volume das vendas a prazo contribui para esticar o nível de inadimplência. Fora esses fatores, ele cita também o aumento do desemprego e a queda da renda dos consumidores como motivos que contribuem para a elevação da taxa de insolvência.
Renegociação O mês que passou também apresentou recorde no número de registros cancelados (por conta de acordos na negociação de carnês em atraso): foram 122.381 cancelamentos, número 28,4% superior ao de maio de 1996 e 3,8% maior que o de abril.
O recuo dos juros e a ampliação dos prazos facilitaram a renegociação, acredita Solimeo. Muito consumidor que entrou em financiamento com prazos curtos e juros mais elevados há alguns meses tem conseguido a recomposição da dívida em condições mais favoráveis. Solimeo lembra também que o próprio aumento da inadimplência leva a um maior número de renegociações dos débitos.
Embora seja desagradável estar insolvente, o consumidor precisa ter em mente que, como muitas pessoas estão passando por situação semelhante, é possível renegociar a dívida em condições favoráveis.
Para o credor, é preferível ampliar o prazo de pagamento e reduzir os juros a não receber nada. Por isso, o mais indicado é procurar renegociar o débito assim que surgir a primeira dificuldade financeira.
Também vale lembrar que, ao fazer a renegociação do débito, o consumidor consegue tirar o nome do SCPC. Sem isso, fica quase impossível obter novo crédito na praça.


