Em junho, pelo segundo mês seguido, a inadimplência de pessoas físicas no País bateu recorde. O indicador de risco de crédito, que mede as perdas, atingiu 15,1% no mês passado, quase o dobro da média histórica de 8%, segundo levantamento feito pela consultoria Austin Asis. No mês de maio esse indicador, que engloba cheques sem fundos, registros no SPC e títulos protestados, foi de 14,6%. O volume de cheques sem fundos emitidos em junho foi de 1,7 milhão, o dobro em relação a junho de 1996.
Perda de poder aquisitivo dos consumidores e expansão das vendas a crédito foram fatores determinantes para esse crescimento do nível de risco, segundo o diretor da Austin Asis, Erivelto Rodrigues. ‘‘É uma bola de neve’’, diz. Os salários não estão sendo corrigidos, mas a inflação continua corroendo uma parte dos ganhos dos trabalhadores.
O levantamento da consultoria mostra também que a inadimplência disparou entre as pessoas jurídicas. O número absoluto de falências decretadas em junho na cidade de São Paulo foi de 320, o segundo maior verificado em 37 anos, informa Rodrigues. Só perde para agosto de 1996, quando 330 empresas pediram falência. Boa parte das empresas não tem capital de giro para trabalhar e estão buscando empréstimos bancários, mas o retorno da atividade principal tem sido insuficiente para cobrir os encargos financeiros, explica Rodrigues.

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