Inadimplência bancária cresce e é a maior desde junho de 2000
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2002
Agência Estado<br>Brasília 
O número de pessoas que não está conseguindo pagar em dia as dívidas bancárias bateu recorde em janeiro. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, o índice de inadimplência entre as pessoas físicas atingiu 14,6%, o porcentual mais alto desde junho de 2000, data do início da série. Também entre as pessoas jurídicas o índice foi alto. O porcentual de empresas com dívidas em atraso nas instituições financeiras saiu de 6% em dezembro de 2001 para 6,7% em janeiro de 2002. É o índice mais elevado desde setembro de 2000.
Segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (Depec), Altamir Lopes, o aumento da inadimplência é consequência direta da desaceleração da economia, que foi bem mais forte, no último trimestre, do que o governo previa. No início de 2001, a perspectiva era tão boa que se imaginava ser possível um crescimento de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
O alto nível de inadimplência, segundo Lopes, impediu a queda dos juros para o tomador final de crédito, no mês passado. Em várias linhas, os juros até subiram em janeiro, como consequência do fim das promoções de final de ano. Um exemplo é a taxa cobrada no financiamento de veículos, que estava em 38,24% ao ano em dezembro e, em janeiro, subiu para 41,94%.
Houve uma queda irrisória na taxa de juros do cheque especial. Ela baixou de 160,18% ao ano, em dezembro, para 160,10% ao ano, no mês passado. Esse custo elevado parece ter provocado um aumento pela demanda de crédito pessoal, que tem juros mais baixos, no mês de janeiro. Mas os clientes que tentaram essa manobra foram surpreendidos pelo aumento dos juros dessa modalidade de empréstimo.
A taxa do crédito pessoal aumentou, na média, 0,5 ponto porcentual de um mês para o outro, passando de 84,25% ao ano, em dezembro, para 84,73% ao ano em janeiro. De qualquer modo, menos exorbitante.


