Inadimplência aumenta, em um ciclo de pobreza
Inadimplência
aumenta, em um
ciclo de pobreza
O aumento do desemprego leva à elevação da inadimplência. A participação dos consumidores brasileiros no total de títulos protestados passou de 22% no primeiro trimestre de 96 para 26% neste trimestre. Traduzindo: dos 2,2 milhões de títulos protestados no País de janeiro a março do ano passado, 494,9 mil eram de consumidores. No mesmo período de 97, do total de 1,9 milhão de protestos (em queda), 496,9 mil (em alta) pertenciam a pessoas físicas - consumidores, e não empresas, pessoas jurídicas.
A participação dos consumidores no universo de títulos protestados só cresce: 22,5% em janeiro, 25,2% em fevereiro e 30,2% em março. No ano passado os percentuais eram menores: 20,2%, 22,2% e 23,7%, respectivamente. Ao falar da pesquisa, o presidente da Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos S/A), Élcio Anibal de Lucca, explica que os inadimplentes, empregados e desempregados, existem em função de uma maior oferta de crédito no mercado.
Ele resume: Em 94, o País começou a vender a crédito e as vendas aumentaram. Desde então, passamos por períodos de restrição ao crédito, tivemos altos índices de inadimplência, maior elasticidade do crédito, menor inadimplência. O fato é que a quantidade de vendas a prazo é cada vez maior; tem mais gente no mercado, comprando. Portanto, a probabilidade de inadimplência é maior, bem maior.
O presidente da Serasa destaca que o volume de empréstimos cresceu 70% no ano passado e ainda há espaço para que dobre no prazo de dois anos. Aí ele faz uma observação: é o consumidor a figura determinante desse volume de empréstimos. À medida em que o crédito vai aumentando e as taxas de juros caindo, o consumidor passa a comprar mais ainda. A oferta é grande.
E os consumidores brasileiros, diz ele, são pessoas comuns, trabalhadores que passaram a frequentar mais o mercado de consumo e que em certos momentos, mesmo com emprego garantido, perdem o controle da situação e viram inadimplentes. Ao mesmo tempo em que aumenta o número de pessoas que pagam suas dívidas, temos, no País, um número cada vez maior de consumidores que, no finalzinho daquela prestação de 12 meses, já assumem um outro compromisso e não conseguem pagar mais nada. Se perde o emprego então...
Na visão dele, o nível de desemprego no Brasil é alto, sem ser crítico. É aceitável, afirma, citando índices de outros países e lembrando de suas oscilações no mercado interno - para cima e para baixo, dependendo da região. As pessoas têm que aprender a se realocar no mercado de trabalho, e o governo precisa fazer aquelas reformas (cita a administrativa), cortar o déficit público e o Custo Brasil. (B.F.)





