Impunidade na política traz prejuízos à economia Da Redação
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sexta-feira, 05 de maio de 2006
Da Redação 
A falta de ética na política está preocupando os empresários, pois eles consideram que, mais dia menos dia, ela vai afetar fortemente a economia. Apesar dos escândalos diários que são mostrados na imprensa, por enquanto, a estabilidade econômica tem passado ao largo das bandalheiras na política. Porém, a manutenção da impunidade pode acarretar sérios prejuízos ao sistema econômico do país.
O que está acontecendo com o governo leva o empresário a ficar inseguro com os rumos da economia, diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Segundo ele a desestruturação da ética na política reflete em toda a sociedade. Ribeiro cita como exemplo os deputados acusados de integrarem o esquema do mensalão que mesmo com provas e até confissões de mau uso do dinheiro público foram absolvidos pelo Plenário da Câmara. O presidente da República nada sabe, nada vê. Também esta semana um policial militar foi preso, em Londrina, acusado de integrar uma quadrilha que roubava caixas eletrônicos. Logo um policial que é pago para proteger o cidadão e não roubá-lo, enfatiza Ribeiro.
Ele ainda cita o fato da Assembléia Legislativa do Paraná ter derrubado o projeto que acabava com a prática do nepotismo no Estado e a confusão provocada pela febre aftosa que trouxe prejuízos enormes para o Paraná e que até agora não foi bem explicada. Dois ex-deputados foram presos pela Polícia Federal acusados de fraudar compras de ambulâncias. A prefeitura de Londrina, que já havia criado um Camelódromo, agora incentiva a criação de outro, no centro da cidade, argumentando a geração de emprego. Ora, vender mercadoria de origem desconhecida não cria empregos, na verdade acaba com empregos, pois esta atividade não gera receita para o município além de afetar muito as
empresas formais instaladas, desabafa.
Ribeiro salienta que este é o caso das locadoras de vídeo que sofrem com a venda de DVDs piratas, as lojas de disco que estão fechando pois não conseguem concorrer com os cds piratas, isso sem contar a indústria brasileira que poderia estar produzindo esses produtos e não estão por causa dessa concorrência desleal. Segundo ele, a crise política afeta a credibilidade do país.
A professora Maria Cecília Coutinho Arruda, coordenadora do centro de estudos de ética da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, define assim a
situação atual: O Estado em nada contribui para a ética.
A legislação é feita de forma antiética. Por isso, a solução
no Brasil vai partir das próprias empresas. De onde é que surgem hoje os princípios morais? A família, que é o pilar da sociedade, está muito fragilizada.
A Igreja não é suficientemente ativa. As escolas não formam cidadãos. O Estado não é modelo. O que sobrou? A empresa, afirma ela.
Para Ribeiro, mais do que nunca os empresários brasileiros têm que cobrar a ética dos seus representantes políticos. Precisamos refletir sobre qual caminho queremos seguir, em que país queremos viver: no país da impunidade onde cada um tenta levar vantagem sobre o outro ou num país justo, com regras claras que dá oportunidades de crescimento para todos e não para apenas alguns grupos.


