A falta de ética na política está preocupando os empresários, pois eles consideram que, mais dia menos dia, ela vai afetar fortemente a economia. Apesar dos escândalos diários que são mostrados na imprensa, por enquanto, a estabilidade econômica tem passado ao largo das bandalheiras na política. Porém, a manutenção da impunidade pode acarretar sérios prejuízos ao sistema econômico do país.
  ‘‘O que está acontecendo com o governo leva o empresário a ficar inseguro com os rumos da economia’’, diz o presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Ribeiro. Segundo ele a desestruturação da ética na política reflete em toda a sociedade. Ribeiro cita como exemplo os deputados acusados de integrarem o esquema do mensalão que mesmo com provas e até confissões de mau uso do dinheiro público foram absolvidos pelo Plenário da Câmara. ‘‘O presidente da República nada sabe, nada vê. Também esta semana um policial militar foi preso, em Londrina, acusado de integrar uma quadrilha que roubava caixas eletrônicos. Logo um policial que é pago para proteger o cidadão e não roubá-lo‘‘, enfatiza Ribeiro.
  Ele ainda cita o fato da Assembléia Legislativa do Paraná ter derrubado o projeto que acabava com a prática do nepotismo no Estado e a ‘‘confusão provocada pela febre aftosa que trouxe prejuízos enormes para o Paraná e que até agora não foi bem explicada’’. ‘‘Dois ex-deputados foram presos pela Polícia Federal acusados de fraudar compras de ambulâncias. A prefeitura de Londrina, que já havia criado um Camelódromo, agora incentiva a criação de outro, no centro da cidade, argumentando a geração de emprego. Ora, vender mercadoria de origem desconhecida não cria empregos, na verdade acaba com empregos, pois esta atividade não gera receita para o município além de afetar muito as
empresas formais instaladas’’, desabafa.
  Ribeiro salienta que este é o caso das locadoras de vídeo que sofrem com a venda de DVDs piratas, as lojas de disco que estão fechando pois não conseguem concorrer com os cds piratas, isso sem contar a indústria brasileira que poderia estar produzindo esses produtos e não estão por causa dessa concorrência desleal. Segundo ele, a crise política afeta a credibilidade do país.
  A professora Maria Cecília Coutinho Arruda, coordenadora do centro de estudos de ética da Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, define assim a
situação atual: ‘‘O Estado em nada contribui para a ética.
A legislação é feita de forma antiética. Por isso, a solução
no Brasil vai partir das próprias empresas. De onde é que surgem hoje os princípios morais? A família, que é o pilar da sociedade, está muito fragilizada.
A Igreja não é suficientemente ativa. As escolas não formam cidadãos. O Estado não é modelo. O que sobrou? A empresa’’, afirma ela.
  Para Ribeiro, mais do que nunca os empresários brasileiros têm que cobrar a ética dos seus representantes políticos. ‘‘Precisamos refletir sobre qual caminho queremos seguir, em que país queremos viver: no país da impunidade onde cada um tenta levar vantagem sobre o outro ou num país justo, com regras claras que dá oportunidades de crescimento para todos e não para apenas alguns grupos.

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