Curitiba – O Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis do Estado do Paraná (Sindicombustíveis) quer convencer o consumidor de que a baixa no preço da gasolina não chegou a 20%, como o governo federal anunciou, por culpa dos impostos incidentes no produto. Para isso a entidade produziu cartazes especificando o preço da gasolina e a parcela que corresponde aos tributos cobrados e a margem de lucro do empresário. Dezenas de postos em todo o Estado começaram a receber os primeiros banners ontem.
O cartaz especifica o valor dos tributos considerando a gasolina pura. Nesse caso, os impostos estaduais e federais correspondem a 79,24% do preço da gasolina, ou R$ 1,12. Segundo o presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, os postos de combustíveis estão trabalhando com margens de lucro muito pequenas, entre R$ 0,07 e R$ 0,10. Segundo levantamento da entidade, o produto está sendo vendido em média por R$ 1,42 no Estado, queda de cerca de 15% em relação a dezembro. ‘‘Por causa da pressão do governo e da população, os postos abaixaram os preços, mas não há como segurar esse patamar por muito tempo’’, afirmou.
Segundo o Sindicombustíveis, a gasolina adquirida pelo consumidor, (com 24% de álcool anidro), custa R$ 1,273. Isso corresponde ao valor do produto na refinaria, à alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 26% sobre a base de cálculo de R$ 1,78 cobrada pelo governo estadual e aos impostos federais.
Fregonese disse que os empresários e as distribuidoras estão dividindo uma margem de lucro de apenas cerca de R$ 0,15, já que o custo fixo é de R$ 1,273. ‘‘Não podemos trabalhar no prejuízo só porque o governo fez um cálculo errado e afirmou que a gasolina ia cair 20%’’, argumentou. Ele disse também que a entidade vai se empenhar para diminuir a base de cálculo, que é de R$ 1,78, valor bem acima da média de R$ 1,42. ‘‘Se a gente pagasse ICMS sobre o valor correto, poderíamos reduzir o preço em mais R$ 0,07’’, explicou.
A intenção do Sindicombustíveis é que todos os 2,3 mil postos de combustível no Paraná fixem os banners. Segundo o proprietário do posto Bom Retiro, em Curitiba, Rafael Eduardo Andrioli, está difícil sobreviver com a margem de lucro atual. ‘‘A margem ideal seria entre R$ 0,25 a R$ 0,30, para pagar os funcionários e outras contas’’, reclamou. Ele colocou um cartaz ontem no posto e pretende fixar outros três, mas não tem certeza se a medida irá ajudar. ‘‘O cliente se preocupa em achar o menor preço e não quer saber o que o posto está pagando de imposto’’, avaliou.

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