Curitiba - Muitos empresários desconhecem que a legislação tributária prevê o escalonamento das taxas e impostos de importação, desde que o importador utilize os armazéns alfandegados. Atualmente esse recurso vem sendo muito usado pelas grandes multinacionais que conhecem e utilizam essa logística em seus países. No Brasil, as empresas nacionais que importam maiores volumes ainda preferem empatar capital na manutenção de armazéns próprios para formação de estoques, disse o diretor do Sindicato dos Armazéns Gerais do Estado do Paraná, Francisco Paulo José Minoli.
No Paraná, existem mais de 100 armazéns, mas ainda são poucos os alfandegados que funcionam com autorização da Receita Federal. Em Curitiba, há dois armazéns alfandegados, além de Maringá e Cascavel. Conforme a legislação, o importador pode obter da Receita, a liberação do despacho aduaneiro ao fazer o transporte da carga que chega no porto direto para o armazém alfandegado, também conhecido como estações aduaneiras do interior - EADI. Nesse processo, não precisa recolher nenhuma taxa.
Os impostos começam a ser recolhidos, de forma escalonada, à medida que o importador for retirando a mercadoria do armazém. O empresário deve pagar o Imposto de Importação (II), o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), correspondente ao volume de produto que for retirado. Os pagamentos podem ser semanais ou mensais, dependendo da programação do empresário. ''Com isso, o empresário não precisa antecipar o pagamento do imposto de uma só vez, durante despacho aduaneiro no porto'', explicou Minoli.
Diante da tendência de aumento da utilização dos armazéns alfandegados e armazéns gerais como mais uma ferramenta de logística, o setor está se reorganizando no Estado. O professor de comércio exterior da Unicemp, de Curitiba, Rene Eugenio Seifert, disse que o setor está dando um salto de modernidade, saindo de uma fase em que os armazéns eram utilizados apenas para armazenar grãos, principalmente o café, para o armazenamento de cargas com maior valor agregado como veículos e outros produtos industrializados.
Aliás, a rede de armazenagem no Paraná surgiu para acondicionar o café. Posteriormente começou a ser utilizado pelas empresas como forma de reduzir o ônus de manter estoques destinados à exportação ou importação, disse Minoli. Em Curitiba tem até armazém especializado em guarda de documentos e arquivos de empresas (veja box).
Minoli acredita que esse tipo de logística ainda não foi ''descoberto'' pelas empresas nacionais diante do reduzido volume de mercadorias importadas. Ele acredita que daqui para frente devem aparecer ''pools'' de empresas como farmácias, lojas e até mesmo supermercados de médio porte, interessados em fazer importação de produtos. O empresário acredita que a tendência é de expansão dessa atividade, como já existe na Europa e países desenvolvidos.
Além das vantagens de importação, os armazéns facilitam as operações financeiras para as empresas que colocam as mercadorias como garantia. São os famosos ''warrants'', onde um empresário pode reivindicar recursos em banco, com base no volume de produto armazenado.
Os empresários podem deixar a mercadoria nos armazéns por seis meses, prorrogáveis por mais seis meses. O valor do aluguel varia de acordo com a mercadoria e prazo definido, conforme os custos do armazém que se responsabiliza pela manutenção do produto.

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