Um estudo feito na Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul indica que uma família de classe média com renda mensal bruta de R$ 2.500 paga R$ 772,00 - o equivalente a 30,8% - de impostos federais, estaduais e municipais. ‘‘Isso significa que um chefe de família de classe média, com salário mensal de R$ 2.500, trabalha três meses e meio do ano para pagar os impostos diretos e indiretos cobrados pelos governos federal, estadual e municipal’’, disse o economista da fundação Alfredo Meneghetti Neto, o autor do estudo.
Segundo ele, do total de tributos pagos, R$ 406,00 (16,2%) são impostos diretos, pois incidem sobre o salário (Imposto de Renda na fonte e Contribuição Previdenciária), sobre os bens (IPTU e IPVA) e sobre a movimentação financeira (CPMF).
Meneghetti disse que outros R$ 366,00 (14,6%) vão para impostos embutidos nos gastos correntes do mês, que incluem compras de supermercado, despesas com saúde, vestuário, educação e transportes, além de gastos com moradia (telefone, luz, água, gás e condomínio).
‘‘Os tributos indiretos são invisíveis para o consumidor, que não tem noção de quanto e para quem paga os impostos. Não se está cumprindo o artigo 150 da Constituição, que estabelece que o consumidor deve ser esclarecido dos impostos embutidos nos preços’’, disse o economista.
O estudo, denominado Uma avaliação dos tributos no orçamento doméstico, simulou os gastos de uma família de classe média de Porto Alegre, com dois filhos, apartamento próprio e um carro do ano de 1992, tendo o marido como única fonte de renda.
Compras de supermercado consomem 24% (R$ 600,00), constituindo-se no item que mais pesa no orçamento. Dos R$ 600,00, 32,3% correspondem a impostos embutidos nos preços dos alimentos industrializados.

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