Até às 19h15 de ontem o Impostômetro da Associação Comercial do Paraná (ACP) alcançaria a marca de R$ 500 bilhões arrecadados pelo governo em impostos federais, estaduais e municipais desde o início do ano. O valor foi atingido com uma diferença de 17 dias em relação a 2012, quando meio trilhão em impostos foram atingidos no dia 2 de maio.
Entre as razões para o aumento na arrecadação, especialistas apontam a queda na informalidade, aliada à maior eficiência na fiscalização por parte da Receita Federal. "O nível de informalidade está caindo com a criação do microempreendedor. Além disso, o fisco está muito mais eficiente. Há comunicação entre estados e municípios e ficou mais difícil escapar do pagamento de impostos", analisa o vice-presidente da Associação Comercial do Paraná (ACP), Airton Hack.
O presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), João Eloi Olenike, também destaca a queda da informalidade, mas ainda avalia que, de um lado, a alta no preço de algumas mercadorias aumenta o faturamento de diversos setores, incidindo na base de cálculo de impostos como Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). "Com 6,5% de inflação acumulada, os preços ficam majorados", justifica.
Por outro lado, Olenike afirma que a desoneração de impostos para alguns setores da economia influencia no preço final dos produtos, aumentando o consumo e, mais uma vez, o faturamento da Receita. "Você tem mais impostos sobre os lucros e aumento de outros tributos. Normalmente, os tributos no Brasil funcionam em efeito cascata. Começa no nível agropecuário, passa pela indústria, comércio até chegar no consumidor. Por isso a arrecadação é tão alta."
Algo que na opinião de Olenike teria solução com uma reforma tributária, com menos impostos sobre o faturamento, mas sem diminuir a arrecadação total. "A ideia é que exista uma justiça fiscal, com tributação em cima de renda, lucros e patrimônio, ou seja, a pessoa paga de acordo com sua contribuição. Hoje em dia, se você tiver prejuízo, vai pagar imposto do mesmo jeito", comenta.
Com o Impostômetro na casa dos R$ 500 bilhões, ele estima que a arrecadação total em 2013 deve chegar a R$ 1,620 trilhão o que, frente aos R$ 1,550 trilhão arrecadado em 2012, é considerado "um crescimento normal dentro do histórico".

Irbes
Para Airton Hack, vice-presidente da ACP, o que faz a arrecadação de impostos brasileira ser considerada tão alta não é simplesmente o número alto que se vê no Impostômetro mas, principalmente, o pouco retorno que os brasileiros têm do governo no que diz respeito a serviços básicos, como saúde e infraestrutura. "É um retorno pequeno para a sociedade se você considerar a situação atual em que, estatisticamente, são R$ 2.560 em impostos pagos por cada habitante", afirma. Ele destaca que 70,04% dos impostos ficam para a União, 24,44% para o estados e 5,52% aos municípios.
Um estudo realizado pelo IBPT mostra que o Brasil aparece como último colocado no ranking do Índice de Retorno ao Bem Estar da Sociedade (Irbes), que engloba 30 países e calcula a média entre a carga tributária anual sobre o Produto Interno Bruto e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país.
Os primeiros colocados na contagem são os norte-americanos, com arrecadação de 25,10% em 2011, IDH de 0,937 em 2012 e um Irbes de 165,78.
À frente do Brasil, que tem Irbes de 135,63, estão outros países da América do Sul, que mesmo com arrecadação menor, atingiram índices maiores de retorno ao bem estar da sociedade, como é o caso de Uruguai (13º) e Argentina (15º).

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