Curitiba - O Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) deve atingir a marca de R$ 900 bilhões por volta das 23h30 de hoje. Em 2012, o montante foi registrado apenas seis dias depois. O valor corresponde a todos os tributos pagos pelos brasileiros desde janeiro deste ano para os governos federal, dos Estados e prefeituras.
Por outro lado, o governo divulgou no início desta semana que a arrecadação nacional de impostos recuou 0,99% em junho e atingiu R$ 85,683 bilhões. No primeiro semestre, a arrecadação acumulada ficou em R$ 543,985 bilhões, apresentando elevação real de 0,49% contra o registrado na primeira metade de 2012. O desempenho mais fraco na arrecadação de junho seria reflexo do cenário da economia atual e das desonerações realizadas pelo governo para tentar alavancar o Produto Interno Bruto (IPI).
Para o advogado tributarista da Pactum Consultoria Empresarial, Gilson Teodoro Faust, o Impostômetro continua superando a marca de 2012 porque as desonerações tributárias realizadas pelo governo federal não foram estendidas para todos os setores. ''O governo está dando com uma mão e tirando com a outra. Desonera alguns setores e migra essa oneração para outros segmentos'', explicou.
Ele lembrou que um dos setores que mais cresce, o de serviços, não teve desoneração. Faust acredita que, no segundo semestre, com o aumento sazonal do nível de negócios, a arrecadação também pode ter elevação. ''No segundo semestre, o comércio circula mais rápido e isso reflete na indústria'', disse. Além disso, os resultados positivos previstos para a safra agrícola deste ano também podem ajudar a alavancar a arrecadação. ''O agronegócio movimenta bastante o País. Além disso, as indústrias começam a se preparar para o final de ano'', destacou. No entanto, ele acredita que a arrecadação tenha aumento se não acontecer nada diferente no cenário internacional.
E não descarta que, de forma silenciosa, o governo possa usar mecanismos para aumentar a carga tributária. Para ele, o corte de R$ 10 bilhões que o governo anunciou no Orçamento Geral da União nesta semana para cumprir a meta de esforço fiscal pode ajudar, mas não resolve o problema. ''É mais um movimento político, mas pouco comparado ao tamanho do orçamento'', declarou.
O presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, Clécio Luiz Chiamulera, explicou que a informação da arrecadação de impostos de junho é muito pontual e que o Impostômetro abrange o ano todo, por isso, continua crescendo apesar da queda na arrecadação de junho. ''É difícil analisar só um mês. A análise do ano elimina a sazonalidade. O Impostômetro é um dado mais fiel'', disse.
Para o segundo semestre, ele acredita que a arrecadação aumente conforme o desempenho da economia. Chiamulera prevê que, ao final de 2013, o Impostômetro deve atingir o mesmo volume de 2012 oito a dez dias antes de terminar o ano. ''Gostaria que este dinheiro dos impostos fosse mais bem utilizado'', arrematou.

Dia dos Pais
A ACSP divulgou ainda o valor de alguns impostos nos preços de itens que comumente são dados como presente no Dia dos Pais, que será comemorado no dia 11. De acordo com a associação, uma garrafa de vinho, por exemplo, tem 54,73% de impostos; um relógio, 53,14%; um porta-retrato, 43,47%. ''Quem for levar o pai para almoçar vai pagar 32,31% de impostos'', segundo a nota distribuída pela ACSP.

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