Imposto sobre o leite tem redução de 5%
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de dezembro de 2001
Denise Angelo<bR>De Ponta Grossa 
Foi sancionada ontem pelo governador Jaime Lerner (PFL) a lei que reduz o ICMS de 12% para 7% sobre os produtores industrializados do leite e óleo vegetal. Com a redução, o Paraná passa a praticar as mesmas alíquotas que outros estados do País. Consequentemente, a indústria ganha mais competitividade.
A nova lei vai beneficiar mais de 50 itens do setor de laticínios. O presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslowski, acredita que com essa redução o Estado pode passar a ser o maior produtor de leite do País dentro de quatro anos. Hoje o Paraná ocupa a quinta posição, com uma produção anual de cerca de 2.145 milhões de litros. Pela estimativa da Ocepar, as cooperativas deverão investir R$ 350 milhões no setor agroindustrial no ano que vem e desse total, R$ 50 milhões serão para o setor lácteo.
Para o presidente da Cooperativa Agropecuária de Maringá (Cocamar), Luiz Lourenço, o mercado vai ficar mais livre. ''Estávamos cerceados por esta diferença que incidia no preço final, agora estamos equiparados e podemos vender nossos produtos nos demais estados com igualdade de condições''.
Mas a medida que trará tantos benefícios à indústria pode não chegar ao produtor. Na cadeia do leite a situação está difícil para os produtores que estão recebendo cerca de R$ 0,29 por litro, enquanto o custo de produção é de R$ 0,31, aproximadamente. ''Para a cadeia produtiva do leite essa redução é ótima. Mas queremos saber quais serão os instrumentos que vão garantir que esse benefício chegue até nós'', diz a produtora Sandra Queiroz, de Ponta Grossa.
Ela é uma das representantes dos produtores da maior bacia leiteira do Paraná, localizada na microrregião de Ponta Grossa. ''Há seis meses estávamos recebendo R$ 0,45 pelo litro do leite. Hoje recebemos R$ 0,29 mas para o consumidor o preço não caiu. Isso significa que alguém está mantendo sua margem de lucratividade, esmagando o produtor'', reclama.
Outra produtora da região, Jussara Bittencourt, lembra que quando entrou na atividade, em 1994, com o valor de dois litros de leite era possível comprar um litro de combustível. ''Hoje eu preciso vender sete litros de leite para um de gasolina'', compara.


