Imposto indica imóveis em aquecimento
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sábado, 12 de abril de 1997
Bete Fagundes 
Arquivo FolhaTempo bomCom estoque em baixa, tendência é de alta de preços: é hora de comprar, diz construtorNeste primeiro trimestre, a movimentação financeira do mercado imobiliário de Londrina foi 30% maior que a do mesmo período do ano passado. É um índice oficial, partindo de cálculos baseados na arrecadação do ITBI (Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis), cuja alíquota é de 2% sobre a transação. Em janeiro de 96 foram arrecadados R$ 201 mil, em janeiro de 97, R$ 380 mil. Fevereiro ficou com R$ 218 mil e R$ 230 mil, respectivamente, e março, R$ 270 mil e R$ 305 mil.
Analisando estes dados, o consultor imobiliário Nestor Correia observa: Não estão incluídos aí os imóveis vendidos para entrega futura, nem os loteamentos que serão escriturados no término do pagamento, mas em compensação, temos aí os imóveis vendidos no passado e escriturados hoje.
Presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis, Correia diz que o segmento está vivendo uma outra situação, influenciado pelos setores básicos da economia (agricultura, pecuária, indústrias, bens e serviços). Eles foram os primeiros a entrar na era real, automaticamente, ditam uma nova realidade de mercado, analisa o consultor, falando ainda que o futuro de todos é a estabilidade.
Correia explica que o dinheiro que movimenta a economia regional é a soma do faturamento líquido da agropecuária, indústrias, comércio e serviços. Descontados os custos e outros itens da produção, é esse dinheiro que entra no mercado de consumo e que é investido em imóveis, por exemplo.
O consultor mostra números que ele mesmo coletou na Secretaria da Agricultura (Deral) para medir a força dos setores produtivos da região - e calcular, quem sabe, as sobras para o mercado.
O Norte deve faturar R$ 436 milhões com a soja, R$ 245 milhões com o milho e R$ 316 milhões com o boi. Correia cita ainda os milhões da avicultura, da indústria, do comércio e do setor de serviços. São receitas brutas, avisa, lembrando que o mercado de Londrina também conta com os cerca de 13 mil alunos distribuídos nos cinco estabelecimentos de ensino superior. Pelo menos cinco mil deles são de outras regiões; representam, portanto, mais um segmento importante para o mercado de imóveis.
Os ventos sopram mesmo a favor. Na abertura da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, dia 3, uma construtora da cidade lançou 96 apartamentos de R$ 40 mil cada um - só no primeiro dia, o empreendedor já vendeu 20% dos imóveis. Quem conta é o diretor da construtora, José Carlos Salgueiro. O parcelamento é feito nos seguintes termos: entrada de R$ 16 mil diluídos em um ano (prazo de entrega do imóvel) e financiamento de R$ 26 mil. As prestações mensais são de R$ 380,00, pagas no período de 12 anos.
Se continuar assim, vamos lançar já um outro empreendimento, afirma o diretor, concluindo que este ano está bem melhor que o ano passado. Agora, em abril, os negócios cresceram 40% sobre o mês anterior. E diz mais: Quem paga aluguel, está comprando imóvel; não é só agricultor, não.
Outro empreendimento à venda no Parque de Exposições Ney Braga é um condomínio horizontal fechado de 650 mil metros quadrados, no trajeto Londrina-Cambé. A área residencial é de 394 lotes de 1 mil a 2 mil metros quadrados cada um. Obra voltada para a classe A.
Com o tripé segurança, esporte e lazer, o número de lotes comercializados passa de 50%, segundo os expositores. Um lote de 883,85 metros quadrados, por exemplo, custa R$ 71.701,24 à vista ou sai em até 65 parcelas de R$ 1.000,00, com entrada de R$ 6.701,24.
É hora de comprar. O construtor Luiz Carlos Moro Pires fala que o estoque de imóveis anda em baixa na cidade e a tendência, no caso, é de alta de preços. Tem outra ainda: os preços estão defasados - até 20% abaixo dos valores históricos - comenta o construtor.


