Curitiba - Os Filibrante fazem parte de uma das famílias de produtores rurais de Curitiba que já estão no cadastro da Secretaria Municipal do Abastecimento e podem se beneficiar com a eventual mudança na lei complementar de redução do imposto imobiliário.
Da propriedade de aproximadamente um alqueire e meio eles colhem cerca de uma tonelada de hortaliças por mês. Estão na chamada Colônia Augusta, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), há mais de 30 anos, e a atividade agrícola já está mais do que enraizada na cultura da família.
''A agricultura não dá muito dinheiro. Então tudo que se economiza já ajuda'', disse Jocélia Filibrante, referindo-se a uma possível redução no valor do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). De R$ 2 mil, o tributo baixou para pouco mais de R$ 300,00, no ano passado, como resultado da redução por produtividade e preservação de área de floresta nativa.
A história de Maria Isaura Bolak e do marido Edgar Rogério Alessi poderia ter sido diferente, se tivessem tido apoio e facilidade de acesso a crédito para manter o cultivo de hortaliças e a criação de pintinhos. ''Era muito caro para manter a irrigação e a energia da chocadeira. Ficamos três anos lutando, mas, por falta de apoio, acabamos desistindo'', contou Maria Isaura.
O casal mudou para o ramo de terraplenagem, mas seu Leonardo Bolak, pai de Maria, não desistiu. ''Desde criança eu trabalho com agricultura.'' Aposentado, aos 72 anos, ele continua plantando milho, feijão, batata e verduras e cuidando da criação de porcos e galinhas.
Bolak mora com a filha no Butiatuvinha, bairro da região noroeste de Curitiba, e cultiva suas lavouras em terrenos cedidos por conhecidos. A produção é comercializada na vizinhança.
O mesmo faz o produtor Carlos Trevizan. De família tradicional da região do Butiatuvinha e Santa Felicidade, vende os cerca de 80 litros de leite, que tira por dia, e os queijos, que produz com o excedente, para os vizinhos e familiares.
Ele conta que já chegou a ter 13 vacas leiteiras - hoje são quatro -, mas foi restringindo a atividade à medida que a família foi crescendo. Os três filhos se casaram e construíram suas casas na mesma propriedade que antes abrigava os pastos.
Hoje, Trevizan aluga terrenos na região para o pasto e para plantar o milho que serve de ração. ''Antigamente, era mais fácil vender leite. Agora, as pessoas preferem o industrializado.''
Apesar de sempre ter vivido da agropecuária, Trevizan comemora o fato de os filhos terem seguido caminhos diferentes, conquistando outras profissões. Sinal de que é preciso mesmo estímulo extra para segurar os produtores rurais da cidade grande em suas terras. (A.L.)

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