No Brasil, medidas baixadas de surpresa interferem constantemente no planejamento e nas finanças das empresas. A implementação de leis recentes, como a de número 8.213, de 24 de julho de 1991, que determina uma cota de 2% a 5% para a contratação de pessoas portadoras de deficiência, é uma delas. Das 118 empresas com mais de 100 funcionários em Londrina, apenas uma, a Fiação de Seda Bratac S.A., está conseguindo cumprir integralmente a cota, com o apoio do Programa de Apoio à Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho, da Secretaria de Estado do Emprego e Relações de Trabalho (Sert).
Mas a falta de profissionais qualificados no mercado de trabalho deixa as empresas de mãos atadas. ''Vamos ter que encontrar uma saída para este impasse'', admite o diretor de Assuntos Corporativos da Milenia, Luiz César Guedes, observando que ''a responsabilidade social está no plano de negócio da empresa''. Juntamente com o auxiliar de produção, Edson de Faria, que trabalha no setor de Envasamento, na Produção da Milenia, foram contratados outros quatro portadores de deficiência. Todos pediram demissão, segundo Guedes, com a justificativa de que não se adaptaram ao serviço.
A deficiência de treinamento é facilmente comprovada pelos números do governo federal. Os investimentos em programas de qualificação profissional, geridos pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com recursos do Fundo de Amparo do Trabalhador (FAT) vêm diminuindo ano a ano.
Até agora, este ano, nenhum curso de qualificação profissional com recursos do FAT foi realizado em Londrina. A redução de investimentos na qualificação dos trabalhadores brasileiros, de acordo com a consultora legislativa da Comissão de Orçamento, da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), Elisângela Moreira da Silva Batista, ocorreu por contingenciamento em razão da não-aprovação da CPMF e da frustração de algumas receitas.
Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Davi Dequech, considera que Londrina vive uma situação confortável em relação a outras cidades do mesmo porte, a exemplo da região do Vale dos Sinos, e do ABC Paulista, que passam por dificuldades. Ele enumera aspectos positivos, como a existência de 38 mil alunos de graduação e pós-graduação, o franco desenvolvimento de empreendimentos e loteamentos imobiliários na cidade, e os preços de produtos do agronegócio. (G.K.)

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