O empresário Bruno Mancebo Esteves tomou dois empréstimos em dois anos
O empresário Bruno Mancebo Esteves tomou dois empréstimos em dois anos | Foto: Gina Mardones



A possibilidade de obter crédito barato na Agência Fomento Paraná foi o estímulo que faltava a Bruno Mancebo Esteves e seu sócio para formalizarem o negócio em 2014, depois de dois anos trabalhando sem CNPJ. A dupla tomou R$ 4.800 mil em capital de giro. O valor parece pouco, mas foi fundamental para a Direct Estamparia Digital, que produz estampa de alta precisão, ganhar espaço no mercado. Em plena crise, o crescimento estimado do negócio para 2016 é entre 30% e 40% e a projeção para 2017 está numa faixa que vai de 20% a 30%.
"Do envio da proposta à confirmação desse recurso, levou entre 20 e 30 dias e conseguimos negociar uma taxa de 0,67% ao mês", conta Esteves. O pagamento foi em 12 meses e os empreendedores já obtiveram um segundo empréstimo, desta vez para investimento. Compraram uma máquina bordadeira, que custa R$ 35 mil, com a ajuda da linha Fomento Paraná – Investimentos. "Financiamos R$ 20 mil, em 36 meses, a 0,87% ao mês. A aprovação foi ainda mais rápida que da primeira vez", destaca. A máquina foi adquirida em setembro. "A ideia é padronizar uma gama de produtos, talvez incluir uniformes e crescer cada vez mais", diz ele.
Crédito barato e fácil tem servido de estímulos para muitos outros empreendedores e, por consequência, para a economia. Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que avaliou os efeitos das operações de microcrédito, mostra que, para cada 1% adicional no valor médio contratado, há um impacto de 0,32% no Produto Interno Bruto (PIB) do município onde se deu a contratação.
Desde 2011, a agência Fomento Paraná, instituição financeira ligada ao governo estadual, concedeu R$ 1,1 bilhão em crédito para prefeituras e para a iniciativa privada. Foram R$ 800 milhões para o setor público e R$ 300 milhões para as empresas. Até 2018, o objetivo é emprestar mais R$ 900 milhões, totalizando R$ 2 bilhões.
O programa de microcrédito da agência, que trabalha com recursos próprios e de outras instituições como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), atende desde trabalhadores informais que queiram empreender a pequenas empresas, passando pelo Microempreendedor Individual (MEI).
Somente em 2016, já foram contratados R$ 50 milhões no segmento de microcrédito. "Batemos a meta de microcrédito. No ano passado, concedemos R$ 35 milhões. Neste ano, deveríamos oferecer R$ 45 milhões e já chegamos a R$ 50 milhões", afirma Luiz Renato Hauly, diretor de Mercado e Relações Institucionais da Fomento Paraná.
Os juros do programa são baixos, segundo ele, dependendo do risco do tomador. Mas o processo é rigoroso. "Primeiro, é feita a análise do cadastro, depois a análise de crédito e por último a análise do projeto". As operações de microcrédito envolvem valores de até R$ 10 mil para empreendedores pessoa física e até R$ 20 mil para microempresas e microempreendedores individuais. Os recursos podem ser usados para investimento fixo, como obras e aquisição de máquinas e equipamentos, ou como capital de giro para o negócio.
Hauly explica que, por determinação do Banco Central, instituições financeiras como a Fomento Paraná não podem ter agências. E, por isso, faz parcerias com os municípios para atendimento em todo o Estado. "Temos agentes de crédito nas prefeituras e nas associações comerciais", explica. Dependendo da linha, o prazo de financiamento vai até 120 meses.
Para saber onde ficam os agentes de crédito de cada município, é preciso acessar o endereço www.fomento.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=234 .

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