A recuperação e melhora da economia argentina passa a ser, cada vez mais, extremamente importante para diversos setores das economias brasileira e paranaense. Ao anunciar para os próximos dias um novo plano econômico, o governo argentino acaba também por envolver toda a economia brasileira, tornando-a interessada e potencialmente beneficiária dos resultados positivos que possam ser obtidos.
A importância das relações econômicas do Mercosul, desde o seu início, tem como referência principal o desempenho econômico de Brasil e Argentina. A crise do país vizinho compromete, portanto, percentual significativo das relações econômicas do Mercosul.
Alguns dos dados disponíveis a respeito do desempenho conjuntural da Argentina são extremamente preocupantes. O desemprego atinge 22% da população economicamente ativa e a variação do PIB nos anos mais recentes tem sido negativo: em 2001, foi -4,5%. A dívida externa soma US$ 141 bilhões. Estes dados demonstram em relação a Argentina, entre outros indicativos, uma queda da demanda agregada, redução da capacidade produtiva, diminuição da receita tributária, insuficiência da estrutura produtiva interna de diversos setores. O governo chegou até a anunciar um calote da dívida interna. Mais ainda, o orgulho pátrio de todos os argentinos, conhecidos como defensores extremistas de sua terra e tradições, nunca esteve tão baixo.
Mas estes diversos fatores também sinalizam um conjunto de dificuldades para uma economia como a brasileira, que vinha tendo na Argentina o parceiro mais importante dentro do Mercosul. A Argentina já representou mercado para 12% das exportações brasileira. Entretanto, para o Sul do Brasil sempre representou muito mais. A repercussão sobre as economias brasileira e paranaense se dá sob as formas de redução das exportações, geração de desemprego, não recebimento das vendas realizadas, queda na receita de exportadores e reflexos negativos em termos de desempenho do PIB brasileiro e paranaense.
A crise na Argentina é mais dramática porque, além de econômica, é também política e social, o que só contribui ainda mais para agravar o respectivo cenário interno. Por tudo isso, o Brasil pode ser considerado no momento como o maior interessado, depois dos próprios argentinos, na recuperação da economia daquele país pois, sem dúvida alguma, nós brasileiros seremos os maiores beneficiários dos efeitos multiplicadores positivos da recuperação econômica, política e social da Argentina.
Vamberto Santana, economista, professor-doutor da Universidade Federal do Paraná
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Site www.corecon-pr.org.br

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