São Paulo - A crise global provocou uma forte queda dos preços dos produtos importados pelo Brasil, graças ao recuo das cotações das commodities, especialmente do petróleo, e à recessão nos países ricos, que elevou o nível de estoques mundiais dos mais diversos produtos. Entre setembro de 2008 e julho deste ano, os preços pagos pelos importados caíram 17%, conforme a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). As matérias-primas adquiridas no exterior pelas indústrias ficaram 11,7% mais baratas. E os preços dos combustíveis importados cederam expressivos 44,5%.
Para Fernando Ribeiro, economista-chefe da Funcex, a ''deflação importada'' provocou dois impactos na economia brasileira, um positivo e o outro negativo. Com a ajuda da valorização do real, os importados baratos ajudaram a controlar a inflação. Por outro lado, as margens de lucro das empresas nacionais vão seguir apertadas, mesmo com a recuperação da atividade.
A queda dos preços de importação e o câmbio tem um impacto significativo na deflação registrada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), avalia o economista da LCA Consultores, Francisco Pessoa. Depois de subir 9,8% em 2008, o indicador acumula queda de 0,7% nos 12 meses até julho.
A LCA calculou um ''deflator implícito'' do comércio exterior em que relaciona preços de importação, de exportação e o câmbio, excluindo combustíveis. Desde o pico em dezembro de 2008, o indicador caiu 23%. É a primeira vez desde 1996 que o comércio exterior tem um efeito deflacionário importante na economia. Em crises anteriores, os preços mundiais caíam, mas a desvalorização do real anulava o impacto. ''Esse fenômeno dá espaço para o Banco Central cortar mais os juros, mas as taxas já estão baixas e provocam outros efeitos na economia'', disse Pessoa.
A tendência é de alta dos preços de importação nos próximos meses, graças a recente melhora da cotação das commodities e a redução gradual dos estoques globais. Mas o processo de recomposição das margens de lucro das empresas será lento, porque a recuperação dos mercados americano e europeu vai demorar. Os preços de importação brasileiros subiram 0,7% em julho em relação e junho, e 2,2% em junho em relação a maio. Antes da crise, os importados acumulavam alta de preços de 39,4% entre setembro de 2006 e setembro de 2008.
A tendência de queda de preços foi global e diversos parceiros ''exportaram'' deflação para o Brasil. Os preços dos produtos importados da China caíram 5% entre o terceiro trimestre de 2008 e o segundo trimestre deste ano. Foi uma das menores quedas. As cotações dos produtos que vieram da União Europeia cederam 22%, dos Estados Unidos, 11,5%, e da Argentina, 20,9%.

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