Márcia De Chiara
Agência Estado
São Paulo – Uma enxurrada de marcas novas, antes restritas ao comércio informal, inundou neste fim de ano as lojas de eletrônicos de imagem e som. Em boa parte importadas dos países asiáticos, especialmente da China, essas marcas provocaram queda de até 40% nos preços médios das categorias a que pertencem entre janeiro e novembro deste ano, mesmo com imposto de importação na faixa de 20%.
  Em contrapartida, ajudaram a engordar em cerca de 80% os volumes importados de bens duráveis de janeiro a setembro deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Fundação do Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).
  Um levantamento feito a pedido da reportagem pela Shopping Brasil, empresa especializada em pesquisa de preços nos tablóides de 300 lojas espalhadas pelo País, revela que só de tocadores de MP3, há hoje 36 marcas nas ofertas anunciadas pelas redes varejistas, das quais 23 são ilustres desconhecidas do consumidor: Foston, Wizard, Apacer, X Tek, entre outras. Em janeiro deste ano, eram 19 marcas, entre as conhecidas e as novas. Enquanto o número de marcas cresceu, o preço médio do produto encolheu 35,5%, de R$ 426,67 em janeiro para R$ 274,92 em
novembro.
  ‘‘Nos últimos 8 anos, nunca houve tantas marcas de aparelhos de áudio e vídeo’’, afirma o diretor Comercial da Shopping Brasil e responsável pela pesquisa, Minoru Wakabayashi. Ele observa que a maioria dos produtos, especialmente os de menor porte como tocador de MP3 e máquinas fotográficas digitais, vem da China. O resultado dessa inundação foi que o preço despencou, diz ele.
  De acordo com levantamento que avaliou o número de marcas e o comportamento das cotações, a maior queda de preço ocorreu nos aparelhos de DVD player com gravador. Em janeiro existiam três marcas nos tablóides de ofertas das redes varejistas; em novembro, eram nove, das quais três desconhecidas. O preço médio das ofertas, que era de R$ 788,33 no começo do ano caiu para R$ 455,68 em novembro – recuo de 42,19%.
  Dos sete produtos pesquisados – DVD, DVD com karaokê, DVD player com gravador, tocador de MP3 player, forno de microondas , som automotivo e máquinas fotográficas digitais –, todos seguiram a tendência de aumento do número de marcas e queda de preços. Apenas o equipamento de som automotivo contrariou a regra. Neste caso, as 16 marcas foram mantidas e o preço médio do produto subiu 6,45%. Custava R$ 335,47 em janeiro e foi para R$ 357,17 em novembro.
  Wakabayashi acredita que o som automotivo contrariou a regra dos demais produtos porque há um culto à marca do equipamento, especialmente no caso dos fissurados por tunning – personalização do veículo –, hoje em moda no mercado.
  Números do Índice de Preços ao Consumidor – Mercado (IPC-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), confirmam o recuo dos preços dos aparelhos de imagem e som, com queda de 16,05% em 12 meses até novembro e de 14,96% no ano. Só o preço dos aparelhos de DVD baixou 26,83% no ano.

Commodity – A transformação dos equipamentos de áudio e vídeo em simples commodity é fruto de uma conjugação de fatores. De um lado, o dólar desvalorizado ante o real facilita as importações. De janeiro a novembro, por exemplo, o dólar se desvalorizou 6,75% em relação ao real. De outro, a corrida das lojas e até mesmo dos próprios fabricantes de marcas famosas para ter um produto de primeiro preço e atrair o consumidor de menor poder aquisitivo estimulou as compras externas.
  ‘‘Aparentemente, fabricantes e lojistas perdem’’, diz Wakabayashi. Ele argumenta que as lojas e os fabricantes tradicionais que partiram para importação de itens mais baratos têm de vender um volume maior para manter a receita e, na sua opinião, não estão conseguindo.
  Paulo Saab, presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), se diz preocupado com a situação. ‘‘Temos preocupação de que as condições de mercado levem a indústria a se tornar importadora.’’
  Analistas do mercado dizem que os volumes importados nas linhas de imagem e som já respondem por 20% dos volumes vendidos no País. Na análise de Wakabayashi, o fato de terem surgido tantas marcas desconhecidas do consumidor não significa que elas sejam de baixa qualidade. ‘‘Há chineses e chineses’’, diz o executivo. Isso quer dizer que no meio dessa infinidade de novas marcas muitas podem chegar para fincar bandeira no mercado nacional.

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