O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que os embarques de carne suína de Santa Catarina destinados à Rússia foram suspensos temporariamente por decisão dos importadores até que o quadro de febre aftosa na Região Sul seja completamente esclarecido. Pratini também disse que, como consequência do retorno da aftosa e da retomada da vacinação, mais dois países suspenderam as importações de carne bovina do RS: Inglaterra e Arábia Saudita.
Chile e Israel que haviam adotado a medida anteontem, anunciaram ontem que vão retornar a comprar carne do Brasil, menos a produzida no Rio Grande do Sul. O ministro voltou a culpar a política sanitária do governo estadual pela atual situação. E pediu que as questões técnicas sejam separadas das questões políticas, referindo-se à polêmica entre o Ministério da Agricultura e o governo estadual. ‘‘No Rio Grande do Sul há quem pense que a aftosa não precisa ser combatida. Há quem queira invadir fazendas, mas nós vamos tratar o assunto com seriedade.’’ Pratini deu estas declarações após participar da reunião do Fórum Nacional de Agricultura.
Antes disso, o secretário de Agricultura do RS, José Hermeto Hoffmann, havia dito, durante a reunião, que a penalidade imposta ao RS com a discriminação em relação à SC é inaceitável. Ele criticou o programa de erradicação da aftosa baseado em circuitos pecuários. Segundo ele, essa política prejudica Estados vizinhos.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, afirmou que o corredor sanitário para escoar os produtos do RS só será determinado depois que as regras sanitárias previstas no Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa forem cumpridas.
Entre essas, está o sacrifício dos animais infectados, fixação de áreas de vigilância e rastreamento dos animais. Esta é também a posição do Fórum Nacional de Agricultura. Odacir Zonta, presidente do Fórum e secretário de Agricultura de Santa Catarina, disse que o governo catarinense só aceita o trânsito de mercadorias através do seu território se essas determinações forem seguidas.
Oliveira disse que todo o Estado teve que ser transformado em zona tampão porque o serviço sanitário estadual não cumpriu nenhuma regra determinada pela Programa Nacional de Erradicação da doença. Disse também que há informações de que o foco de aftosa registrado em Santana de Livramento, fronteira física com o Uruguai, teria sido detectado no dia 19 de abril e não no dia 6 último, quando foi divulgado.
‘‘Nós continuamos recomendando que as regras sanitárias sejam implementadas para que possamos qualificar melhor a zona tampão’’, salientou. Ele disse que os técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária convocaram os técnicos estaduais para uma reunião na quarta-feira, mas estes não compareceram. Nessa reunião seriam colocadas as medidas que deveriam ser implementadas para evitar a propagação da aftosa no Estado.
O Fórum Nacional de Secretários de Agricultura aprovou a continuidade do Programa Nacional de Erradicação de Febre Aftosa da forma como foi concebido e que tem como ponto básico a divisão do País em circuitos pecuários e a aplicação do rifle sanitário para sacrificar animais infectados ou em risco de serem contaminados pela aftosa.
Hoffmann deixou a reunião durante a votação, alegando que não havia o que conversar se a discussão sobre o desmembramento do Circuito Pecuário Sul não fosse tratada. Os argumentos dos secretários e do presidente do Fórum de que o Circuito não foi alterado, e de que o Rio Grande do Sul está classificado como zona tampão em caráter temporário, foram contestados por Hoffmann. Segundo ele, o fato de Santa Catarina ser mantida como livre da aftosa sem vacinação já acaba, na prática, com a definição do Circuito. O secretário gaúcho quer que Santa Catarina também vacine seu rebanho.

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