São Paulo A Cisa, maior trading especializada em importação do País, passou por momentos difíceis nos últimos dois anos. As importações caíram mais de 40%, lembra Antonio José Pargana, presidente da trading, que atende a mais de 200 empresas, trazendo para o Brasil desde máquinas e equipamentos até veículos e cosméticos. Para contornar o colapso das importações, a Cisa resolveu oferecer novos serviços de logística e cadeia de fornecimento, além de se iniciar nas exportações e apoio à exploração de petróleo. Agora, Pargana está ''moderadamente otimista''. ''Digamos que estou com 'viés de alta' para as importações em 2004'', diz. O executivo prevê uma volta das importações de sua empresa para a faixa de US$ 350 milhões.
Os grandes importadores do País, que penaram em 2002 e 2003 com a desvalorização do real e a economia em crise, preparam-se para voltar à compras externas em 2004. Segundo previsões de economistas, cerca de US$ 10 bilhões a mais em produtos importados vão entrar no Brasil em 2004, graças à recuperação da atividade. De acordo com estudo da Tendências Consultoria Integrada, bens de capital e bens de consumo não duráveis, como alimentos e produtos de higiene, vão liderar a retomada das importações, com crescimento de 22% e 38%.
''A compra de bens de consumo vai crescer bastante porque a base é muito baixa - as importações caíram muito'', explica Júlio Sérgio Gomes de Almeida, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Já a importação de bens de capital depende da recuperação da taxa de investimento, o que deve ocorrer mais para o segundo semestre, segundo Almeida.
O aumento deve ser acentuado na compra de insumos para indústria química, de fármacos, eletrônicos, linha branca e marrom. A importação de bens de capital também vai crescer. Porém, segundo Gomes, não haverá uma repetição do boom de infra-estrutura de telecomunicações de 2000 e os celulares não devem ter um ano tão espetacular em 2004 - reduzindo o potencial de explosão de importações.

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