Importadores dizem que País volta a competir com China
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quarta-feira, 13 de março de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
Arapongas - O aumento do número de importadores na 9ª Feira de Móveis do Paraná (Movelpar), na Expoara Centro de Eventos, em Arapongas, mostra a recuperação da competitividade do setor da indústria do País diante da ofensiva chinesa. Foram 13 compradores de outros países na edição anterior do evento ante 20 na atual, um aumento de 50%. Alguns contam que chegaram a deixar de negociar com fornecedores brasileiros por alguns anos, mas que nos últimos três anos houve um aumento de qualidade sem reflexo no preço que atraiu os olhos estrangeiros para as fábricas moveleiras da região.
Representantes das fábricas nacionais que participaram ontem do Projeto Comprador, pelo qual os fornecedores levam propostas aos importadores, disseram que o profissionalismo na busca por ofertas foi surpreendente. "A escolha de compradores foi com ótimos critérios, muito qualificada, porque são pessoas que vieram com interesse em fechar negócio. E o Brasil está em evidência, enquanto países como o Chile estão com dinheiro", diz o diretor da Faro Consulting, João Faro, representante da Patrimar Móveis. Em dez rodadas de negociação, ele conta que oito se mostraram abertos a continuar a negociar.
Os 20 compradores estrangeiros na Movelpar deste ano vieram de Angola, Chile, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Equador, México, Panamá, Peru, Reino Unido e Tanzânia. A auxiliar de exportação do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Stephanie Fernandes, conta que 40 empresas cadastradas no programa Brazilian Furniture, que visa fortalecer a indústria e fomentar as exportações moveleiras, participaram ontem. "A maioria eram expositores da feira, mas basta fazer parte do programa para poder participar", diz.
Stephanie afirma que a estimativa de negócios pelo Projeto Comprador é bem maior do que na edição passada da Movelpar, quando foram US$ 7,5 milhões (R$ 14,7 milhões). "Em razão do número de envolvidos, acreditamos que o valor será no mínimo três vezes maior."
Para o proprietário da Leon International Group, Tomas Leon, o produto brasileiro é o mais vantajoso pela proximidade do país-sede da distribuidora dele, no Panamá. Pela primeira vez na Movelpar, ele reconhece que a China faz uma competição agressiva, mas diz que o Brasil voltou a ter papel protagonista no mercado nos últimos anos. "O bom do mercado brasileiro hoje é o preço, a localização geográfica e o fato de já negociarmos há dez anos com fornecedores do País", diz o empresário, que distribui móveis para toda a América Latina e tem duas lojas próprias.
Mesmo vindo dos Emirados Árabes, o responsável por compras e controle de qualidade da Pan Emirates, Zeferino Silva, afirma que o progresso da fabricação brasileira fortaleceu o setor moveleiro. "O motivo de vir ao Brasil é o bom acabamento, mas não podemos largar o mercado chinês devido aos preços", conta. Representante de uma rede que conta com cinco lojas no país-sede, duas no Catar, uma em Omã e com mais uma à vista na Arábia Saudita, ele conta que a possibilidade de contar com produtos brasileiros ainda agrega valor à marca. "São de qualidade e podemos oferecer móveis de várias nacionalidades, o que em Dubai, onde apenas 20% da população é local, é uma vantagem", diz Silva, que é português.


