Importadores adiam resgate de produtos e lotam terminal
O pátio de armazenagem do Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon) do Porto de Paranaguá está com capacidade esgotada de armazenagem devido à indefinição dos importadores, que se recusam a retirar as mercadorias do porto por causa da desvalorização do real. O espaço destinado às mercadorias importadas é para 1,8 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), mas a diretoria do terminal informou ontem que há 2,6 mil TEUs, ou seja, 44% acima da capacidade máxima.
O excesso de contêineres se deve ao encarecimento que as mercadorias importadas tiveram após o dia 14 de janeiro, quando houve a mudança na moeda brasileira. Em poucos dias, os importadores viram seus produtos, que são cotados em dólar, dobrarem de preço. A maioria preferiu deixar os carregamentos no porto, na esperança que diminua a diferença entre o real e o dólar.
Um dos importadores que recuou em seus negócios foi o empresário Antonio Carvalho, dono da CIT Distribuidora de Tecidos. Quando Carvalho comprou um carregamento de tecidos de fábricas européias, ele teria uma despesa de R$ 178,6 mil. O custo da mercadoria seria de R$ 120,7 mil mais as despesas portuárias e impostos. No dia em que o navio com os tecidos atracou em Paranaguá, o real já estava desvalorizado e o custo geral da importação saltou para R$ 288,4 mil. Neste dia, o dólar estava na cotação máxima de R$ 2,05. Na semana passada, com o dólar cotado em R$ 1,9, o empresário teria de pagar R$ 267,6 mil para retirar a mercadoria. Só me resta esperar para ver se o dólar abaixa mais. Como eu, estão os demais importadores, reclamava.
O diretor presidente do consórcio Redram/Transbrasa, empresa que explora a concessão do Tevecon, Mauro Marder, disse que a manutenção dos contêineres no Porto está sendo feita pelos pequenos e médios importadores. Empresas maiores como a Down Química não podem deixar parados os produtos importados e liberam rapidamente os contêineres. Marder afirmou que se for necessário a Redram vai utilizar um pátio que está sendo reformado para abrigar, provisoriamente, os contêineres.
Segundo Marder, há importadores que estão negociando os contratos com os fornecedores, na esperança que haja uma redução dos valores. Outros empresários estão apenas esperando o dólar baixar e há os que estudam uma maneira de repassar a mudança na política cambial para o preço final dos produtos.





