Importadoras negociam descontos em dólar mas param na burocracia
As grandes empresas importadoras que estão conseguindo com fornecedores, principalmente asiáticos, descontos em dólar nos preços de produtos para compensar a alta do dólar, esbarram em um obstáculo imprevisto: a lista de referência de preços mínimos para produtos importados do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que é o sistema de informática da Câmara de Comércio Exterior (Secex). Os descontos deixam os preços abaixo do mínimo fixado como referência e levam a Receita Federal a taxar estes produtos tendo como base o seu preço de referência, anulando o benefício dos descontos que poderia segurar o preço dos importados para os consumidores brasileiros.
Uma camisa oriunda da China, por exemplo, não pode entrar no Brasil com preço abaixo de US$ 5. Caso um importador consiga um desconto e feche um negócio com valor abaixo da referência para compensar a alta do dólar e evitar o aumento em reais da camisa no Brasil, a Receita Federal imporá uma taxa sobre o valor importado. A C&A, uma das maiores redes de varejo de vestuário do País, com 65 lojas, é uma das empresas que está enfrentando este imprevisto de esbarrar na lista de preços do Siscomex. O diretor de Compras da C&A, Rubens Panelli, informou que, apesar do sucesso nas negociações com fornecedores, os descontos tornam-se inúteis.
Os produtos abaixo do preço da lista de referência são taxados, elevando novamente o custo da importação e por fim o preço para o consumidor nacional, segundo Panelli. Ele explicou que a decisão da C&A é avaliar a demanda e ver até que alta dos preços nos importados o consumidor absorve, para definir os volumes de importação. Panelli adiantou que grandes aumentos não serão aceitos e admite até a possibilidade de a rede absorver parte das altas para garantir itens de interesse do público da C&A.
O presidente da Silex Trading, uma das maiores companhias que opera com comércio exterior, Roberto Giannetti da Fonseca, disse que já é hora de o Governo rever os preços mínimos do Siscomex. Ele argumenta que a revisão dos preços deveria ser feita de seis em seis meses porque o valor dos produtos oscila muito no mercado internacional em função de demanda, câmbio e taxas de juros, por exemplo, o que pode provocar redução de custos para os importadores. Giannetti lembrou ainda que a desvalorização de várias moedas asiáticas frente a moeda norte-americana tornou os produtos destes fornecedores do Brasil mais baratos em dólar naturalmente.





