São Paulo - Quase 80% do crescimento no consumo de produtos industrializados ocorrido no Brasil no último trimestre de 2010 foi suprido por importações, segundo estudo do banco Credit Suisse. A análise da instituição revela que a produção industrial doméstica tem perdido espaço para as importações em meio à crescente demanda de consumidores e empresas por bens, como máquinas, veículos e roupas.
''Enquanto a produção industrial tem desacelerado, a importação de bens industriais segue forte'', diz Nilson Teixeira, economista-chefe do Credit Suisse no Brasil. O cálculo da quantidade de bens industriais consumida no país feito pelo banco inclui tudo o que foi produzido localmente e importado. Do resultado dessa conta é descontada a parcela da produção que foi exportada e, portanto, consumida fora.
Segundo o Credit Suisse, o consumo de produtos industriais aumentou 6,9% no último trimestre do ano passado em relação ao mesmo período de 2009. As importações responderam por 79,2% dessa expansão. A parcela é quase o dobro da contribuição de 40% feita pela produção local. Já as exportações subtraíram 19,2% desse aumento de consumo no período.
Segundo o levantamento, o peso dos produtos que vêm de fora no consumo doméstico tem crescido ao longo dos últimos anos. Em 2003, produtos importados representavam 13,8% dos bens industriais consumidos no país. No ano passado, essa parcela havia saltado para 24%.
Em parte, esse aumento das importações é explicado pelo fato de que os produtos que vêm de fora têm ficado mais baratos para empresas e consumidores brasileiros. Isso ocorre por dois motivos. Com forte valorização em anos recentes, o poder de compra do real em moeda estrangeira aumentou. Além disso, com a crise global e a desaceleração econômica no mundo rico, os preços de produtos como máquinas e equipamentos produzidos nos países desenvolvidos caíram.

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