Arquivo FolhaOfertas reduzidasPaís exportou muita soja em grão e indústrias têm dificuldades para se abastecerA previsão inicial de que o Brasil importaria 1,2 milhão de toneladas de soja em grão em regime de ‘‘draw back’’ para ser exportada na forma de farelo e óleo está sendo revista. A tentativa de reduzir o déficit da balança comercial fez o governo reduzir o prazo da operação de 180 para 90 dias. A medida levou o mercado a especular que a importação de pelo menos 700 mil toneladas de soja estão sendo canceladas. A Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais) trabalha com o cancelamento de 300 mil t, reduzindo a importação para 900 mil t.
Até a entrada da nova safra, a partir de fevereiro, a Abiove conta com as importações em ‘‘draw back’’, mais 660 mil toneladas importadas do Paraguai que já estão internalizadas, informou o presidente da entidade César Borges de Souza. Ele explicou que, tradicionalmente, a indústria importava o grão de soja na época da entressafra, cuja industrialização acaba atendendo a demanda interna.
Como a devolução no regime de ‘‘draw back’’ se estendia até o período de 180 dias, os importadores tinham tempo suficiente para atender o mercado interno na entressafra e depois começar a trabalhar com a entrada da nova safra para exportar o produto manufaturado, justificou Souza. As indústrias utilizam esse mecanismo para usufruir do benefício fiscal de 8% nas importações em regime de ‘‘draw back’’, que condiciona a exportação do produto manufaturado. Fora desse sistema, a importação perde o benefício fiscal, afirmou Souza.
As indústrias tiveram dificuldades para se abastecer este ano por causa da lei Kandir, que desonerou as exportações de produtos primários e semi-elaborados. Com a lei, as exportações de grãos de soja foram recordes e a oferta no mercado interno foi reduzida. ‘‘Se a demanda por óleos é margaridas se intensificar, as indústrias terão de importar fora do ‘‘draw-back’’ e os preços ao consumidor pode ser onerado’’, comenta. Para reduzir o impacto sobre os preços, o presidente da Abiove informou que estão sendo canceladas as importações previstas para outubro e novembro, devendo permanecer as guias encaminhadas a partir de dezembro.

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