Importações de veículos elétricos crescem mais de 7.300% no PR
Alta acompanha crescimento na produção e venda no mercado interno, que tem previsão de recorde em 2026
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sábado, 17 de outubro de 2026
Alta acompanha crescimento na produção e venda no mercado interno, que tem previsão de recorde em 2026

No momento em que a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) projeta o maior volume nas vendas de veículos no Brasil desde 2014 e revisa para cima as estimativas de produção e comercialização no mercado interno em 2026, um outro dado chama bastante a atenção. No Paraná, as importações de veículos elétricos deram um salto gigantesco no último mês de setembro, registrando um crescimento de 7.335,6% sobre o mesmo mês de 2025.
Segundo a Fecomércio PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná), as importações de veículos com motor exclusivamente elétrico somaram US$ 83 milhões de dólares no mês passado. O movimento foi concentrado principalmente na China e em Hong Kong que, juntos, representaram 96,9% do valor desses veículos adquiridos pelo Estado.
A China liderou as vendas de elétricos no Paraná, com US$ 48,2 milhões, o correspondente a 58% do total. Em setembro de 2025, haviam sido apenas US$ 679,2 mil. Outros 38,9% representam as vendas de Hong Kong, que somaram US$ 32,3 milhões. No ano passado, não haviam sido registrados embarques desse tipo de veículo para o Paraná. Em terceira colocação, aparece a Alemanha, com participação de 3,1%, totalizando US$ 2,6 milhões.
Os veículos eletrificados também aparecem entre os principais destaques das importações paranaenses. Os híbridos não plug-in, que combinam um motor a combustão com um motor elétrico, mas que não é conectado à rede elétrica, movimentaram US$ 94,8 milhões de dólares em setembro, crescimento de 8.597,2% sobre setembro do ano passado.
Já as importações dos modelos plug-in, que podem ser conectados à tomada, somaram US$ 68,4 milhões no mês passado, sem base comparativa disponível para setembro do ano anterior.
Líder do mercado de elétricos, atuando há quatro anos no país, a fabricante chinesa BYD detém uma considerável fatia dos consumidores. Gerente de Vendas da concessionária BYD Servopa, em Londrina, João Leandro Carvalho calcula alta em torno de 400% nas comercializações em relação a 2023. A revendedora saltou de cerca de 30 automóveis mensais para 150 unidades por mês no período. Entre 2025 e 2026, as vendas dobraram.
A alta demanda por modelos elétricos incentivou outras marcas a ingressarem no mercado local e mesmo sem o aumento proporcional dos consumidores, os resultados são animadores. "Hoje, estamos falando de 13 marcas chinesas de carros em Londrina. O negócio cresceu absurdamente. A 'pizza' (uma referência ao gráfico das vendas) do mercado não cresceu da mesma forma. Do ano passado para este, o crescimento do mercado foi de 2,5%. Com as novas marcas entrantes, a pizza foi fatiada para mais pessoas, mas a BYD está comendo uma boa porção", explicou Carvalho, que avalia os resultados da loja como "fantásticos".
Na concessionária, o valor médio de um veículo é de R$ 125 mil e, segundo o gerente, a revendedora ocupa, atualmente, o quarto lugar em número de emplacamentos, somando vendas diretas, para frotas, e varejo, atrás apenas das marcas tradicionais Chevrolet, Fiat e Volkswagen. Se a comparação for apenas entre o comércio varejista, destacou Carvalho, a concessionária londrinense ultrapassa o volume de vendas de outras grandes montadoras, como Toyota, Hyundai e Jeep. "Quando (a montadora BYD) entrar com força na venda direta e a fábrica nacional estiver em pleno funcionamento, em 2030, a expectativa é comercializar 350 mil carros por ano no país." No ano passado, a fabricante chinesa entregou 113 mil veículos no Brasil, número alcançado no primeiro semestre deste ano, que deve chegar a dezembro com um total em torno de 240 mil unidades vendidas.
Além da desmistificação de ideias sobre a tecnologia, Carvalho aponta a postura agressiva dos chineses como um dos fatores que levaram à popularização dos importados elétricos. "Os chineses são muito ousados. Colocam números pesados na mesa. Mas temos uma situação macro que é a chegada de outras marcas e o mercado tende a se dividir. Tínhamos uma briga com as montadoras tradicionais. Já superamos. Agora, a briga é com os chineses. O grande embate de 2027 vai ser sobre quem tem mais força."
Mercado nacional
Relatório divulgado pela Anfavea no início de outubro revisou a expectativa de licenciamentos em 2026. No início do ano, a associação previa expansão de 2,7%, revisada em junho para 12,1% e agora, novamente alterada, para 15,2%.
Se as projeções se confirmarem, a indústria automotiva nacional fechará o ano com 3.099 milhões de veículos emplacados, o maior volume de vendas desde 2014, segundo dados da associação.
Até setembro, as vendas de veículos novos no país, em 2026, registraram alta de 18,1%, totalizando 2,26 milhões de unidades, das quais 434 mil são eletrificadas. Desse total, aponta a entidade representativa das montadoras, 262 mil foram importados.
A Anfavea associa o resultado recorde aos incentivos tributários concedidos pelo governo federal à venda de alguns modelos por meio do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, lançado em maio deste ano com o objetivo de estimular o comércio de carros novos. O benefício se estende a modelos de até R$ 200 mil e vale para veículos zero quilômetro, sustentáveis e seguros, sejam eles híbridos, flex ou movidos a etanol. Por meio do programa, as taxas de juros são mais baixas e diferenciadas, para homens e mulheres, variando de 11,5% a 12,6% ao ano, com prazo estendido de financiamento em até 84 meses e possibilidade de carência.
Ao ser lançado, o governo federal previa um público-alvo potencial entre 1,2 milhão e 1,4 milhão de motoristas profissionais em todo o país. Em pouco mais de quatro meses, a Anfavea contabilizou 374 mil veículos licenciados, adquiridos por meio do programa de incentivo.
Gerente comercial da Renault Barigui em Londrina, João Vitor Mendes Felipe calcula em cerca de 40% a alta nas vendas do modelo Kwid após a implementação do programa federal. A revendedora passou de uma média mensal de 15 a 20 unidades para 20 a 28 veículos. "Trabalhamos com os modelos Kwid e Kardian, porém, no Move Brasil, somente o Kwid tem apresentado saída. O aumento das vendas tem sido concentrado nesse modelo."
Para a produção de veículos, as estimativas também são promissoras. A associação das montadoras espera alta de 6,7%, chegando a 2,82 milhões de unidades, o melhor resultado desde 2019.


Simoni Saris
Repórter com atuação nas áreas de Economia, Infraestrutura e Agronegócio.


