Importações de trigo crescem 11% em 98
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sexta-feira, 25 de setembro de 1998
Guto Rocha 
As perdas nas lavouras de trigo causadas pelas chuvas irão provocar um aumento de pelo menos 11,04% no volume importado este ano pelo Brasil. Na safra passada, o País importou cerca de 5,5 milhões de toneladas do cereal, e este ano, as importações devem chegar a 6,1 milhões de t, segundo números divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Este volume é para atender a uma demanda de consumo interno estimada em 8,52 milhões de t para este ano. Com isso, o Brasil terá de desembolsar R$ 1 bilhão.
Segundo o presidente da Associação dos Moageiros de Trigo do Paraná, Roland Guth, estes números ainda podem sofrer alterações. Ele observou que no Centro-sul do Paraná a colheita ainda não se iniciou, e se as chuvas persistirem as perdas podem ser ainda maiores. Além da perda de qualidade, que já é visível, a perda de quantidade pode se agravar, comentou. O industrial observou ainda que a colheita no Rio Grande do Sul, que também enfrenta problemas com a chuvas, é tardia.
Segundo último levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, 44% da área plantada no Estado foi colhida. Levantamento do Deral indica que o Paraná já apresenta perda de 10% do volume produzido. Inicialmente, o Deral trabalhava com uma expectativa de colher 1,82 milhão de t, agora, com a chuvas, a colheita deve render 1,63 milhão de t.
Guth disse que a perda da qualidade do trigo nacional, provocada pelas chuvas, pode obrigar o País a importar mais do que o previsto. Segundo ele, para ser utilizado, este trigo precisa ser misturado com trigo de qualidade superior. Guth, que também é vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), disse que 90% do trigo importado pelo Brasil este ano virá da Argentina.
O corretor da Agricampo, de Curitiba, Pedro Orlando Diehal, observa que as cotações do trigo no mercado internacional reagiram esta semana. Mas segundo ele, não há uma tendência de alta no mercado, apenas um reajuste das cotações.
Com o problema nas bolsas, os fundos voltaram suas aplicações para as commodities, dando sustenção para o trigo, comentou. Ontem, segundo Diehal, a tonelada do trigo era cotada a US$ 117,00 FOB na Argentina, contra os US$ 110,50 negociados na sexta-feira anterior.
Diehal observa que os leilões de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) provocaram um aumento do consumo do trigo nacional, diminuindo temporariamente as importações do trigo argentino. Segundo ele, no mesmo período do ano passado, o Paraná tinha comercializado 120 mil toneladas de sua safra, e hoje, a comercialização já atinge entre 300 mil e 320 mil toneladas (entre trigo ofertado no PEP e no mercado físico).


