A desvalorização do dólar frente ao real prejudicou as exportações brasileiras de móveis. Em um mercado mundial bastante competitivo, as importações têm crescido mais do que as vendas externas. Somente no ano passado, o volume importado aumentou 45% com relação a 2006, enquanto as exportações cresceram 2,74% no mesmo período. É neste cenário, onde um dos principais desafios da indústria moveleira é manter a competitividade, foi aberta ontem a 6 Feira Internacional da Qualidade em Máquinas, Matérias Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira (Fiq 2008).
O Brasil detém menos de 1% do mercado mundial de móveis, que movimenta anualmente cerca de US$ 100 bilhões. No ano passado, as exportações renderam cerca de US$ 994,24 milhões, contra US$ 967,80 milhões registrados em 2006. Já as importações cresceram cerca de 45% no mesmo período. Em 2007, as vendas movimentaram US$ 294,5 milhões, contra US$ 203,6 milhões em 2006. ''Nos últimos cinco anos as exportações cresceram, em média, 12,8% ao ano, enquanto as importações aumentaram 15,4%'', informou João Araújo Pinto Neto, gerente-executivo da Associação Brasileira do Mobiliário (Abimóvel).
O ''responsável'' pelo resultado seria a desvalorização cambial, acentuada nos últimos dois anos. Com dólar mais baixo, produtos importados entram no País com preços menores, estimulando as compras. Além disso, a China pratica uma política agressiva de exportações - detém 35% do mercado mundial - mas produzindo móveis de baixa qualidade. Já a produção brasileira atende públicos de todas as faixas de renda e, por isso, concorre diretamente com a Itália (com móveis de maior valor agregado) e com a China, com produtos mais populares. Aliás, para a Abimóvel a concorrência com a China ou até mesmo com os europeus é desleal.
''O custo da mão-de-obra, os encargos trabalhistas e a logística brasileira encarecem os produtos nacionais. Além disso, a burocracia dificulta a exportação'', salientou Irineu Munhoz, diretor da Abimóvel. Somado a isso, no Brasil não há políticas de financiamento a longo prazo, praticadas em países europeus, que estimulam investimentos na criação de produtos e em novas tecnologias. ''Sem capital de giro muitas indústrias podem não ter condições de tocar o negócio'', disse Munhoz. Para 2008, o setor projeta crescimento dos mercados interno e externo, seguindo a tendência registrada nos anos anteriores.
''A política econômica está estabilizada, os prazos para financiamento estão mais longos, há disponibilidade de crédito e a construção civil está crescendo. Tudo isso eleva a demanda por móveis'', comentou João Araújo Pinto Neto. Na avaliação, a indústria nacional evoluiu e está utilizando mais tecnologia, como o uso de madeiras de reflorestamento na produção de cerca de 90% dos móveis. ''Os móveis atualmente têm mais qualidade do que os produzidos há uma década'', enfatizou Irineu Munhoz. ''O nosso desafio é fazer o consumidor perceber que o móvel faz parte da sua vida'', acrescentou Pinto Neto.

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