Importações de leite diminuem 72% em abril
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quarta-feira, 14 de maio de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O baixo estoque mundial de leite e os altos preços praticados no mercado internacional reduziram em 72% as importações brasileiras de produtos lácteos no mês de abril, em comparação ao mesmo período de 2002. No mês passado, o País comprou 30,6 milhões de equivalentes litros no mercado externo, enquanto em abril do ano anterior, foram adquiridos 108,5 milhões de litros. Os dados são da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).
Em receita, as importações reduziram de US$ 21,3 milhões em 2002 para US$ 6,3 milhões este ano, no mesmo mês analisado, perfazendo queda de 70%. A conjuntura reforça a tendência observada desde o início do ano: comparando os primeiros quadrimestres de 2002 e 2003, a redução das importações, em receita, foi de 37%, caindo de US$ 70,9 milhões para US$ 44,4 milhões.
Vicente Nogueira, diretor do departamento econômico da CBCL, explicou que a diminuição das importações decorre dos altos preços praticados pelo mercado internacional. A tonelada de leite em pó, por exemplo, subiu de US$ 1,2 mil dólares para US$ 1,7 mil dólares. Outro fator é que, até março, o dólar estava muito caro, dificultando os negócios balizados pela moeda.
A queda mais significativa aconteceu em abril. Segundo Nogueira, nesse mês a baixa oferta mundial de leite praticamente inviabilizou as importações. ''Argentina e Uruguai, que são os principais fornecedores do Brasil, não estão com grandes excedentes'', disse, acrescentando que a Austrália enfrenta queda de 10% na produção leiteira. ''A única região que tem leite para vender é a União Européia, mas a tarifa de proteção comercial praticada é de 42,8%, o que encarece demais o produto'', analisou.
A redução no volume de leite comprado de outros países favorece a produção nacional. ''O produto que seria importado acaba sendo substituído pela produção doméstica'', disse. A expectativa, para o ano, é de crescimento entre 4% e 5%, passando de 20,4 bilhões de litros produzidos em 2002 para 21,3 bilhões de litros em 2003.
No outro lado da balança, a exportações brasileiras de leite também diminuíram. De acordo com a CBCL, de janeiro a abril a redução de receita foi de 39%, passando de US$ 14,9 milhões para US$ 9 milhões. Conforme Nogueira, a explicação para o cenário é que grande parte da produção nacional está abastecendo o mercado interno, que passou a contar com menos leite vindo de outros países. Além disso, no início do ano passado foram realizadas algumas vendas importantes que não se repetiram este ano. ''Até o final de 2003, devemos chegar perto dos valores exportados no ano passado'', aposta.
O otimismo das indústrias do setor não atinge os produtores. Apesar dos criadores enfrentarem um ano atípico, com manutenção de preços em plena safra, os custos de produção subiram muito. O preço do farelo de soja, milho, produtos veterinários e combustível aumentou junto com a valorização do dólar, mas, mesmo com a queda da moeda norte-americana, os insumos continuam caros.
Pensando nisso, o Conselho Paritário do Leite (Conseleite) fará, a partir de julho, uma atualização dos custos. O objetivo é investigar quanto o produtor está gastando para produzir cada litro de leite. ''O custo é uma variável importante para estabelecermos os preços de referência para o produtor'', disse Wilson Thiesen, presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite).


