Importações de lácteos aumentam 18%
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Vânia Casado 
As importações de produtos lácteos voltaram a preocupar indústria e produtores nacionais. No primeiro semestre, o volume de importações superou em 18% as importações ocorridas no primeiro semestre do ano passado. Se este ritmo for mantido, os preços do leite e derivados nacionais tendem a cair com a proximidade da entrada do período de safra. O presidente do Sindicato da Indústria do Leite, Wilson Thiesen, teme uma repetição do problema surgido no ano passado, quando produtores e indústrias operaram com prejuízos.
As importações aumentaram apesar das medidas de contenção dessas operações, adotadas pelo governo federal no início do ano quando foi deflagrado o movimento SOS Leite. Na época, o governo tomou as seguintes medidas: aumentou a alíquota do imposto de importação de leite em pó e queijos para 33%; proibiu o licenciamento automático nas importações de produtos lácteos.
Depois desse pacote, veio o período de entressafra e os preços melhoraram para a indústria e produtores, como lembrou ontem o assessor da Ocepar, Nelson Costa. Mas esse período de elevação de preços aguçou o interesse das indústrias de laticínios de outros países, que viram a possibilidade de ganhar dinheiro aqui dentro, comentou. Com isso, as importações recomeçaram a partir de maio. Segundo Costa, a situação está difícil para produtores e indústrias que estão trabalhando com margens apertadíssimas.
As importações já estão refletindo no mercado interno. O leite tipo C pasteurizado teve uma queda de 1,45% este mês no Paraná, em pleno período de entressafra. O leite baixou de R$ 0,68 no início do mês, para R$ 0,67 esta semana, constatou o técnico da Seab, João Carlos Koehler. Segundo ele, a tendência do preço do leite é cair mais ainda com a entrada da safra.
Um levantamento feito pela Confederação Nacional da Agricultura aponta que no período janeiro a julho deste ano foram gastos US$ 250 milhões com a importação de 187,4 mil de toneladas de produtos lácteos. No ano passado, no mesmo período, foram gastos US$ 232 milhões com a importação de 158,6 mil de toneladas. As maiores importações foram de leite longa vida, leite em pó e soro de queijo, principalmente do Uruguai e Argentina.
As indústrias de laticínios temem o retorno do excesso de oferta de leite e derivados com a entrada da safra, a partir de setembro. Para evitar a repetição da crise que ocorreu no ano passado, as indústrias estão apostando na liberação de recursos do governo federal para estocagem de produtos lácteos. O crédito de R$ 250 milhões será votado na reunião do Conselho Monetário Nacional, dia 26.
Outro compromisso assumido pelo governo federal, que está sendo aguardado pela indústria de laticínios é a inclusão do leite longa vida na cesta básica do programa Comunidade Solidária.


