Importações avançam, mas balança mantém fôlego
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quarta-feira, 01 de setembro de 2004
Reuters 
Brasília - O fôlego das exportações brasileiras, no patamar de US$ 9 bilhões em agosto pelo terceiro mês seguido, surpreendeu positivamente o governo num momento em que as importações começam a ganhar espaço e o saldo comercial a recuar. No mês passado, o superávit comercial foi de US$ 3,433 bilhões - o mais alto para um mês de agosto. O desempenho resulta de exportações de US$ 9,056 bilhões e compras de US$ 5,623 bilhões, também as mais altas para agosto. ''Nós já imaginávamos que as exportações iriam continuar crescendo e que o crescimento proporcional das importações seria maior. Mas esse resultado (das exportações) de agosto está acima do que prevíamos'', afirmou ontem o secretário de Comércio Exterior, Ivan Ramalho.
''Ao que tudo indica há um novo patamar para as exportações... em junho, julho e agosto do ano passado estavam na faixa de US$ 6 bilhões.'' O saldo comercial de agosto ficou um pouco abaixo do superávit de US$ 3,48 bilhões em julho e marca o segundo mês consecutivo de queda. Ramalho não considera que o ritmo da recuperação econômica - que no segundo trimestre cresceu em relação ao mesmo período de 2003 no ritmo mais forte desde 1996 -irá atrapalhar o saldo comercial do País e aposta em investimentos para suprir a demanda doméstica. ''Achamos que o crescimento do mercado interno é que continuará sendo atendido por novos investimentos. Quem já colocou um pé lá fora não vai abandonar o mercado externo.''
Pela manhã, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, já havia comentado sobre a necessidade de investir mais. Com o crescimento da economia e a performance da balança comercial, segundo ele, ''não há dúvida de que nosso grande desafio agora é o investimento''.
No ano, o superávit comercial acumulado é de US$ 21,951 bilhões, acima dos US$ 15,126 bilhões de igual período de 2003. Furlan considera que é possível chegar ao final do ano ''acima de US$ 30 bilhões''. O mercado estima para o ano saldo positivo de US$ 30,58 bilhões, segundo pesquisa feita pelo Banco Central.
Em relação a agosto do ano passado, as exportações de produtos básicos cresceram 46,8%, as de manufaturados subiram 33,7% e as de semimanufaturados, 14,4%. As importações de combustíveis e lubrificantes avançaram 66,5%, as de matérias-primas e intermediários subiram 41,9%, as de bens de capital, 41,8% e as de bens de consumo, 28,7%. ''O crescimento da importação de bens de capital é uma confirmação importante de investimentos'', avaliou Ramalho.


