ArquivoCompetição deslealMeneguette: Buscar qualidade para enfrentar concorrente privilegiado. Terra tem que ser administrada como empresa A internacionalização da economia de forma acelerada tem provocado prejuízos aos produtores brasileiros. Pela forma como vem ocorrendo, não proporciona o tempo suficiente para estes competirem - em condições de igualdade - com os agricultores estrangeiros. Com isto, há uma grande importação de produtos primários, gerando competição desigual no mercado interno.
A análise foi feita ontem, em Nova Esperança, Noroeste do Estado, pelo presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneguette, durante o 1º Encontro de Diversificação Agrícola. ‘‘Fica difícil competir desta forma’’, desabafou, pregando como única alternativa - ao lado da pressão política da categoria - a profissionalização do segmento. O evento, promovido pela prefeitura municipal, Cocamar e Emater, reuniu cerca de 400 pessoas.
‘‘Enquanto nos países ricos a agricultura é fortemente subsidiada, recebendo seus agricultores até para não plantar para evitar grandes ofertas, nós, brasileiros, temos uma política econômica que facilita as importações de alimentos subsidiados em sua origem. Desta forma, a agricultura se descapitaliza e as dívidas do setor se tornam impagáveis’’, alertou o dirigente rural paranaense.
Desastres Meneguette lembra que, em decorrência da política agrícola desestimulante, o Brasil reduziu de 6,2 milhões para 2 milhões de toneladas sua produção anual de trigo. Com isto, as importações subiram muito, onerando a balança comercial, trazendo prejuízos aos triticultores nacionais e subsidiando os produtores estrangeiros. Em relação ao algodão, em virtude do mesmo enfoque governamental, diante desse quadro irreversível, a única saída é a profissionalização acelerada do setor. ‘‘Cada propriedade precisa ser uma empresa rural’’, diz Meneguette, ao salientar a importância da melhoria na eficiência da mão-de-obra rural conforme trabalho que vem sendo desenvolvido pelo SENAR-PR, que treinou 63 mil trabalhadores e produtores só no ano passado.
A criação da FUNDEPEC, visando melhoria qualitativa de carnes e vegetais produzidos no Estado e com envolvimento dos diferentes segmentos afins, é outra alternativa para a urgente profissionalização da agricultura e pecuária. A esta iniciativa soma-se o projeto de cadeias produtivas no qual todos os setores ligados à produção passam a atuar de maneira integrada com uma só finalidade: ganhar eficiência e competitividade.
Para o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, as profundas transformações na agropecuária nacional podem ser comparadas a um barco indo em direção ao precipício. O tripulante do barco tem que reunir forças suficientes para chegar à outra margem do rio. Não há outro caminho’’, comparou.

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