A constituição brasileira prevê isenção de impostos para papéis com fins editoriais. Segundo Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa, a maioria dos papéis importados para o Brasil estão sendo declarados para estes fins (produto acabado: livro, jornal ou revista) e desviados. Os cofres públicos já perderam mais de R$ 600 milhões em tributos apenas em 2010, conforme apontam associações nacionais de revista e jornal. De acordo com Elizabeth, 600 mil toneladas de papel entraram no território nacional em 2010 declarados e beneficiados com a isenção do tributo e nunca se converteram em produtos editoriais.
  O setor de papel do Brasil, as papeleiras e a Bracelpa, de acordo com ela, estão extremamente preocupados com a importação de papéis oriundos da China e da Indonésia, que podem indicar um subfaturamento de preço. O Brasil possui quatro grandes indústrias de produção de papel de imprimir que perderam 56% de mercado brasileiro ocupado por importações, ‘‘fruto de desvio de finalidade beneficiado por subsídio de precificação’’. Portanto, a Bracelpa tem trabalhado com as empresas e o governo e em 2011 o setor ‘‘não vai abrir mão deste combate ao papel imune e pressionar as autoridades brasileiras continuamente por fiscalização’’.
Florestas em pauta
  O setor de Celulose e Papel ampliou suas florestas plantadas para 2,2 milhões de hectares. Elizabeth informa que o País tem mais de 3 milhões de florestas nativas. ‘‘O Código Florestal está em pauta. O setor de florestas plantadas do Brasil é um dos únicos que supera em quase o dobro as metas estabelecidas de preservação de florestas naturais dentro do Código Florestal. Por isso o setor é hoje o de maior sustentabilidade dentro de todos os usuários das terras brasileiras’’, avalia.
Crescimento contínuo
  Segundo estimativas da Associação Brasileira de Celulose e Papel, a produção brasileira de celulose deve crescer 5,1% neste ano em comparação a 2009, chegando a 14 milhões de toneladas, enquanto a produção de papel deve alcançar a marca de 9,8 milhões de toneladas, aumento de 3,4%. As perspectivas para o segmento nos próximos anos são otimistas e se baseiam na expectativa do aumento de consumo de papel e maior dinamismo econômico de mercados emergentes: China, Índia, Rússia, Leste Europeu e América Latina. Neste ano as exportações cresceram principalmente em faturamento, fechando com quase R$ 7 milhões. ‘‘O crescimento é constante e contínuo’’. (A.V.)

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