Importação enfrenta vários entraves no País
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segunda-feira, 03 de dezembro de 2012
Andréa Bertoldi <br> Reportagem Local 
Curitiba - A importação de matérias-primas esbarra em uma série de entraves no Brasil, o que dificulta o trabalho dos empresários no País. Entre os principais problemas estão a infraestrutura portuária, a burocracia dos produtos terem que passar pela fiscalização de vários órgãos de forma isolada e não integrada e, para completar, as greves frequentes de servidores públicos envolvidos na liberação de mercadorias como Receita Federal, Ministério da Agricultura e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para o setor do agronegócio, o produto imprescindível é o fertilizante. O assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, disse que a infraestrutura portuária e a produtividade do Porto de Paranaguá vêm atrapalhando bastante o setor. ''Um navio demora de cinco a seis dias para descarregar depois que atracou'', afirmou. ''Teríamos que ter mais berços de atracação com uma velocidade maior de descarregamento'', destacou.
Segundo ele, hoje os Portos de Paranaguá e Antonina contam com sete berços de atracação que podem ser utilizados para o desembarque de fertilizantes. Apenas dois deles (209 e 211) são exclusivos para este tipo de produto e estão em Paranaguá. ''Cerca de 90% dos problemas de importação para o agronegócio envolvem fertilizantes'', disse.
Outro entrave, segundo Camargo, são as greves de servidores públicos como os da Anvisa, do Mapa, da Receita Federal e também de trabalhadores avulsos que compõem a mão de obra portuária. Além disso, o setor também sofre com a burocracia dos mais diversos órgãos para a liberação dos produtos. Um fator econômico que atrapalha é a diferença cambial na relação entre real e dólar.
''O mercado agrícola cresce no País e as estruturas não se modificam. Falta investimento'', disse o diretor executivo da Cooperativa Nacional Agroindustrial (Conagro), Daniel Fontes Dias. A entidade que ele representa reúne 17 cooperativas com o objetivo de reduzir custos para ter melhor poder de compra de insumos agrícolas.
Segundo ele, os empresários enfrentam filas enormes de navios no Porto de Paranaguá e também há falta de berços para atracação. Tudo isso, gera um custo para o agricultor que paga US$ 25 por tonelada de adubo, é a chamada demurrage, tempo de espera dos navios, ou seja, período no qual o afretador permanece na posse do navio, após o período normalmente permitido para carregar e descarregar. Ele contou ainda que, para fugir da demurrage, o produtor tem que comprar fertilizantes cada vez mais antecipado. ''Se tivesse um porto que funcionasse bem não teria que comprar antecipado'', disse. Isso obriga agricultores a amarzenarem produtos por um prazo de até quatro meses.
Dias destacou que o produtor ainda paga até US$ 10 de impostos por tonelada de adubo importado que envolvem a taxa de Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) que representa de 10% a 25% do valor do frete. Com isso, há perdas de competitividade do Brasil em relação a outros países e de renda do agricultor. ''Para a agricultura tudo fica mais complicado com as greves de servidores públicos. Produtores chegam a perder o período de plantio''.
O vice-presidente do Sindicato das Empresas Importadoras e Exportadoras do Paraná (Sindiexpar), João Ricardo Gritzenco, disse que há produtos que passam por fiscalização de mais de um órgão do governo, como as mercadorias da área de saúde. Segundo ele, há dificuldades logísticas no Porto de Paranaguá. Além disso, importadores ainda enfrentam barreiras não alfandegárias como o certificado de origem dos produtos e a licença de importação que precisa passar por vários órgãos. ''Há uma falta de sincronia, de unificação das exigências que são feitas por vários órgãos'', disse.
Dependente
Atualmente, o Brasil é extremamente dependente da importção de fertilizantes. De acordo com o coordenador estadual da área de grãos do Emater e engenheiro agrônomo, Nelson Harger, o País importa 80% do fósforo que consome, 95% do potássio e cerca de 70% do nitrogênio. ''O País tem bom clima, solo, área para plantar e depende da importação de fertilizantes'', disse. Ele destacou que um dos fertilizantes importados é o nitrato de amônia, utilizado para suprir a necessidade de nitrogênio em várias culturas como milho, café, hortaliças e frutas, com exceção das leguminosas como a soja.



