A importação de produtos embalados à base de papel como leite, calçados, sucos, panificados entre outros preocupa empresas que produzem embalagens para a indústria de manufatura brasileira. ''A importação forte, por exemplo, ajuda a segurar a inflação, mas ela coloca um cinto apertado em toda indústria de manufatura brasileira. Na medida em que os volumes de importação crescem, o mercado brasileiro se recente'', declara Reinoldo Poernbacher, diretor Geral da Klabin, empresa que produz celulose para industrializar papéis de embalagens.

Poernbacher compara o desaquecimento do setor - de 0,6% registrado nos primeiros quatro meses deste ano em relação ao mesmo período do ano passado - ao que foi enfrentado pelo setor téxtil e calçadista há 10 anos atrás. ''Isso faz a gente pensar um pouco'', declara, preocupado, ao citar sua ida a supermercados e constatar nas gôndolas produtos importados (embalados) franceses, alemães, italianos entre outros. O executivo do setor de papel concedeu entrevista à FOLHA de Londrina na Fábrica de Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) .

FOLHA: O que a Klabin está planejando este ano para produção de papel?

Poernbacher: Nós acabamos de completar um investimento importante no Paraná, cujo projeto se chama MMA-1100, que vem a acrescentar a capacidade de 400 mil toneladas/ano de papel ao nosso projeto. Com isso, nossa capacidade vai para 2 milhões de toneladas/ano, acreditamos que vamos chegar a 80% deste número ainda este ano.

Isso vai gerar benefício, por exemplo, como emprego?

O emprego direto não é o ponto forte da empresa. Mas há todo um desdobramento que isto cria nos serviços e nas atividades em torno da empresa, porém não sabemos quantificar o quanto isto gera de oportunidades lá fora, contudo os reflexos são bastantes grandes na comunidade.

Quanto a Klabin exporta?

A Klabin exporta 40% em toneladas do que ela produz, em valor representa 30% da receita da empresa.

Este mercado de papéis está crescendo?

A demanda global por papéis, especialmente por papéis embalagens que a Klabin produz, tem um crescimento de 3% ao ano.

No Brasil, esses bons ventos da economia se refletem na produção de papel?

No Brasil ocorre uma situação curiosa, a venda de caixa de papel ondulado para embalagem nos primeiros quatro meses deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, teve um pequeno decréscimo de 0,6% no consumo. Isto está acontecendo porque o volume de produtos importados pelo Brasil está crescendo bastante, e estes produtos já vêm embalados. A importação é o resultado do Real (moeda) fortalecido. Por outro lado, no setor de cartões estamos crescendo. Em sacos industriais, por exemplo, são crescimentos bastantes vigorosos devido à indústria do cimento brasileiro estar crescendo a taxas superiores a 10% ao ano, como resultado de uma atividade forte da construção civil.

Na verdade isso se deve a situação da economia que vai bem?

Isso é um reflexo da economia, sem nenhuma dúvida. Em algumas coisas vai bem, mas em outras nem tanto. A importação forte, por exemplo, ajuda a segurar a inflação e ajuda uma série de coisas, mas ela coloca um cinto apertado em toda indústria de manufatura brasileira.

Seria por que a indústria brasileira não tem preço e mercado para competir com os produtos de fora?

É porque na medida em que os volumes de importação crescem, o mercado brasileiro se recente. Veja o que aconteceu com a indústria têxtil de dez anos para cá, este setor sofreu muito. O setor calçadista também. E hoje eu fico preocupado quando eu vou ao supermercado e vejo: torrada francesa, pão integral alemão, concorrendo com pão produzido no Brasil. E isso faz a gente pensar um pouco.

mockup