Importação de
trigo dos EUA
surpreende Ocepar
Vânia Casado
As cooperativas agrícolas do Paraná foram surpreendidas com o anúncio do Ministério da Agricultura de liberar as importações de trigo dos Estados Unidos. As negociações foram concluídas esta semana entre assessores do Ministério da Fazenda e representantes do Governo dos Estados Unidos.
Para o diretor técnico da Ocepar, Nelson Costa, essa medida ameaça o futuro da triticultura nacional, e foi classificada como irresponsável. As cooperativas do Paraná e Rio Grande do Sul vão tentar convencer o governo federal que essa iniciativa poderá comprometer as lavouras, ameaçando a qualidade da produção nacional.
Pragas O trigo norte-americano tem algumas pragas inexistentes nas lavouras nacionais, entre elas a ‘‘Tiletia controversa kuhn’’, que atemoriza os produtores brasileiros. O Brasil havia restringido a entrada do trigo dos EUA, desde 1996, mas agora está voltando atrás ‘‘ por pressão de moageiros e importadores’’, acusou Costa.
Para Nelson Costa, se o governo brasileiro não voltar atrás com essa medida, vai acontecer a mesma coisa que o bicudo do algodão, que ‘‘é uma praga importada dos Estados Unidos, que não existia por aqui’’.‘‘Agora os cotonicultores têm os custos de produção onerados, em função do excesso de pulverizações com inseticidas, para controlar a praga’’, comparou.
Costa argumentou que o Brasil vem sofrendo até hoje a imposição de barreiras sanitárias dos Estados Unidos e da Europa que impedem a exportação da carne, porque o Brasil ainda não conseguiu controlar a aftosa, e de frangos, com a ameaça da doença ‘‘New Castle. Como eles protegem a produção deles, deveriamos ter o mesmo procedimento aqui’’, finalizou.

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