Depois da suspensão da importação de carne bovina brasileira pelo Canadá, Estados Unidos e México, o Brasil pode iniciar seu contra-ataque barrando a importação de material genético canadense. O País importa cerca de 600 mil doses de sêmen canadense por ano, totalizando US$ 6 milhões.
Segundo o diretor-presidente da Araucária Genética e representante da empresa espanhola Aberekin para a América Latina, Marcelo Turquino Vezozzo, essa proibição já existe contra os países europeus e, se acontecesse contra o Canadá, o maior prejudicado seria o próprio produtor nacional. Para ele, ‘‘a pedra angular passa pela questão da balança comercial’’.
Vezozzo também afirma que a justificativa do Canadá para suspender a importação da carne brasileira é um pretexto e que eles estariam preocupados com a penetração brasileira nos mercados mundiais. O empresário revela que recebeu ligação telefônica de compradores canadenses, antes de anunciarem a medida, querendo saber qual seria a implicação imediata da suspensão para o Brasil. ‘‘Eles estão preocupados, pois a carne bovina brasileira está para ser certificada com selo de produto livre da vaca louca e de hormônio’’.
De acordo com Vezozzo, ao contrário do Brasil, que proibiu a importação de semem europeu, tanto o Canadá quanto os EUA continuam adquirindo material genético da Europa. Entretanto, o empresário garante que não há qualquer possibilidade de contaminação pelo mal da vaca louca através do sêmen.
O criador Evaldo Medeiros Parra, por seu lado, afirma que o País deve mesmo contra-atacar. ‘‘Temos que aplicar algum tipo de retaliação, pois o prejuízo que estão causando é enorme’’, reclama.
Parra importa material genético canadense e, ao contrário do que afirma Vezozzo, ele avalia que existe risco de contaminação do rebanho por doenças como a da vaca louca com a utilização de sêmen do Canadá. (L.A.)

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