Importação de roupa da China tem cota
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quinta-feira, 12 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaNo prejuízoIndústria nacional de confecções perdeu faturamento com a importação de produtos chineses e fechou empregosA Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou ontem a imposição de salvaguardas sobre roupas de origem chinesa. Durante os próximos três anos, as importações de confecções da China serão reduzidas em 50%. A restrição abrange cinco categorias de produtos: camisas de malha masculinas, calças e bermudas masculinas, roupas íntimas, camisas de algodão e camisas de fibras sintéticas artificiais. A cota anual de importação desses produtos estará, desde hoje, quando será publicada uma portaria interministerial no Diário Oficial da União, restrita a 11.110.580 peças.
Segundo o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, Frederico Alvares, os ministros tomaram essa decisão para proteger a indústria nacional que, por causa da importação exagerada de produtos chineses, sofreu queda de 12% no faturamento e redução da capacidade instalada de 78% para 40%. Conforme Alvares, de 1995 a 1996 foram perdidos 30.600 postos de trabalho. No período de 12 meses até abril deste ano, em comparação com o período de 12 meses imediatamente anterior, as importações de confecções chinesas cresceram 238%, com destaque para as camisas de fibra sintética, cujo crescimento alcançou 433%.
Alvares garantiu que a limitação imposta à importação de produtos da China não significará aumento de preço para o consumidor. Estamos dando uma margem de importação grande, pois ela foi calculada num período de crescimento, explicou. O secretário-executivo da Camex também acredita que o Brasil não terá problemas com a China devido à imposição de salvaguardas. O fato de a China não participar dos acordos comerciais firmados no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) facilita a aplicação das cotas, reconheceu Alvares.


