Importação de pneus é tema de audiência no STF
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sexta-feira, 27 de junho de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Uma audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) ouviu onze especialistas que apresentaram argumentos a favor e contrários a importação de pneus usados, na tarde de ontem, em Curitiba. Após cerca de 4 horas de evento, a ministra Carmem Lucia Antunes Rocha afirmou que, assim que o processo, de 16 volumes, volte ao STF, dará prioridade para elaborar o relatório e levar a questão para julgamento no Plenário.
Nos discursos dos participantes contrários à importação de pneus, entre eles o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a coordenadora geral de Gestão da Qualidade Ambiental, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Zilda Maria Faria Veloso e o advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, o argumento recorrente era com relação aos danos ambientais nos descartes do produto após o seu desgaste.
Para Minc, ''a importação de pneus usados é um dos casos raros em que há unanimidade entre as áreas da saúde, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e da própria indústria''. Segundo Zilda Veloso, ''ao importar pneu usado, apenas uma das vidas úteis do produto será aproveitada e logo ele precisará ser tratado, reformado e destinado no Brasil''.
Entre os defensores da importação, o especialista em gestão de resíduos Paulo Janissek afirmou que o produto, mesmo no final da vida útil, não pode ser considerado lixo. Segundo ele, se o pneu for incinerado, pode-se recuperar energia e, se tiver outra destinação, gera o reaproveitamento de material.
Francisco Simeão Rodrigues Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados, disse que impedir a importação de pneus acabará com 18 mil postos de trabalho diretos, caso as fábricas de pneus remoldados sejam fechadas.


