Até 28 de fevereiro do ano que vem, empresas brasileiras poderão importar milho de países não integrantes do Mercosul sem pagar imposto de importação. A medida, adotada para amenizar o desabastecimento enfrentado pelo País, foi definida pela Resolução nº 30 da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que inclui o produto na lista de exceções da Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC). As importações se limitam a um volume máximo de 600 mil toneladas.
Para representantes das indústrias consumidoras do cereal, a notícia chega como ''uma luz no fim do túnel'', mas não resolverá o problema de imediato. Domingos Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), considera que a taxa de câmbio está muito alta para permitir a importação. O setor trabalha com a expectativa de pagar R$ 30,00 pela saca importada do cereal, enquanto paga R$ 26,00, em média, pelo produto nacional. ''Se o câmbio cedesse, seria uma boa alternativa'', afirmou.
Outro impedimento é a proibição, por parte da legislação brasileira, da utilização de milho transgênico no País. O único grande produtor mundial de milho tradicional é a China, cuja distância encarece o transporte. Martins acredita, inclusive, que a utilização de transgênicos não favoreceria a produção nacional de frango, bem aceito por muitos mercados por ser livre de organismos geneticamente modificados.
Nelson Kowalski, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Moageiras de Milho (Abimilho), avaliou que a medida vai ajudar a ''esfriar o mercado''. ''É interessante para o Nordeste, que já paga mais de R$ 30,00 pela saca, por causa do frete.''
O presidente do Sindiavipar concorda que a notícia terá impacto sobre o mercado. ''Os vendedores sabem que as grandes empresas têm estrutura para importar'', afirmou. A entidade, porém, tem orientado os associados a reduzirem o número de alojamentos de pintinhos até a oferta regularizar. ''O objetivo é diminuir a pressão de consumo sobre os insumos básicos.''
Martins e Kowalski comentaram que o principal influenciador do mercado, atualmente, é a expectativa de antecipação da safra. ''O tempo está favorável, a colheita pode ser adiantada para janeiro. Muitas empresas já estão reposicionando estoques'', disse o presidente da Abimilho.

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