Importação de leite preocupa o setor
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O crescimento das importações brasileiras de lácteos de 39,5% em valores, no último ano, atingindo US$ 22,03 milhões em janeiro, conforme dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ainda não prejudicou os produtores parananenses. A afirmação da secretária do Conselho Paritário de Indústria e Produtores de Leite do Estado do Paraná (Conseleite) Maria Sílvia Digiovani é baseada na projeção de alta no valor máximo de referência do leite para fevereiro em R$ 0,6202 - R$ 0,0091 a mais que em janeiro.
''Apesar de a perspectiva de melhora de preço, o quadro pode mudar já que o mercado internacional aponta valores baixos. Em março já será possível avaliar o impacto'', comenta Maria Sílvia que também faz parte da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite da Federação da Agricultura do Paraná.
Maria Sílvia afirma que a Nova Zelândia e a Austrália - responsáveis por mais da metade da oferta de leite mundial - controlam o mercado e tabelaram a tonelada do leite em pó a US$ 1,8 mil. Em 2007, chegou a US$ 5 mil e o produtor recebeu quase R$ 1 pelo produto. ''A indústria alimentícia que usa o leite como matéria-prima tende a optar pelo importado para reduzir custos'', analisa.
Diante disso, um dos receios do Conseleite, é que empresas não comprometidas com a qualidade, reidratem o leite em pó que entra no País transformando-o em leite de caixa (UHT), apesar da prática ser ilegal. A medida já aconteceu na década de 90 quando houve a importação de leite subsidiado da União Europeia, supostamente triangulado para o Brasil, via Argentina. Na época, o Brasil chegou a ser o segundo maior importador mundial de leite.
A importação representa mais de 10 mil toneladas de litros de leite. Deste total, 8,3 mil toneladas vieram da Argentina somente em janeiro, atingindo 82% do volume da compra nacional. No ano passado este índice foi de 58%. A CNA suspeita que a Argentina esteja importando leite da União Europeia e vendendo ao Brasil por preços inferiores aos valores pagos aos pecuaristas do País. Esta prática é conhecida como dumping e pode inviabilizar a produção nacional.
A CNA já adotou instrumentos protecionistas como a alíquota antidumping, aplicada a partir de 2001 nas importações de leite da União Européia e da Nova Zelândia; acordos de preços mínimos com a Argentina e o Uruguai, que venceram em 2008; fixação da tarifa externa comum em 30% para países de fora do Mercosul (o Brasil paga 41% contra os 16% da argentina) exige a fiscalização dos padrões de qualidade do leite argentino.
O cálculo da instituição é que para ser competitivo frente aos preços do leite argentino, o Brasil precisaria produzir a um custo de US$ 2 mil a tonelada, o que representa R$ 0,41 por litro de leite pago ao produtor pela indústria de laticínios. O valor médio atual é de R$ 0,59, o que gera um custo industrial de US$ 2.370 pela produção de uma tonelada de leite em pó. Para a presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu, uma das saídas seria ''desonerar do PIS e Cofins as rações e o sal mineral, o que reduziria em R$ 0,04 o custo de produção'', sugere. (Colaborou Agência CNA)


