Importação de carros antigos cresce 150%
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sábado, 06 de outubro de 2007
Cleide Silva e Elisangela Roxo<br>Agência Estado 
São Paulo - O dólar barato e o interesse cada vez maior de novos e antigos colecionadores estão facilitando a entrada no Brasil de uma frota de carros antigos como Corvette, Mustang, Rolls Royce e Bentley, considerados ícones em mercados mundiais. Em três anos, a importação cresceu 150%. Hoje, cerca de 40 veículos clássicos chegam ao País mensalmente, a maioria vinda dos Estados Unidos.
Somente este ano, até setembro, foram importadas 207 unidades, ante 88 há três anos. Em 2005, o número passou para 134 unidades e, no passado, para 207, segundo cálculos da Federação Brasileira de Veículos Antigos.''É um acervo histórico que está entrando no País'', define o presidente da entidade, Henrique Thielmann.
A valorização do real não é o único fator responsável pelo aumento. ''Ter carro antigo também passou a ser um estilo de vida'', define Ricardo Robertoni, diretor da Private Collections, loja do bairro Jardim Europa, na capital paulista, com 120 modelos à venda.
A importação de veículos usados é permitida desde 1994, somente para a finalidade de coleção e pode ser feita apenas por pessoas físicas, informa Saulo Rodrigues Ferreira, despachante aduaneiro que este ano intermediou a importação de 60 modelos. Segundo ele, a média mensal de todas as importações saltou de 20 a 30 unidades para 40 unidades nos últimos três meses.
Nos últimos cinco anos, o valor de mercado de um carro antigo em bom estado de conservação duplicou ou até triplicou, dependendo do modelo, calcula Luiz Eduardo Ribeiro dos Santos, presidente da Matel, empresa organizadora do Auto Show, evento que reúne carros antigos para exposição e vendas no Anhembi, zona norte de São Paulo, às terças-feiras.
A frota nacional de carros antigos, com mais de 30 anos e no mínimo 80% de peças originais, conforme define a classificação, equivale a 15% a 20% do que foi vendido apenas no mês passado em veículos novos. ''Há cerca de 30 mil a 40 mil carros de colecionados no País'', calcula Thielmann. Ele diz que muitos dos modelos importados são ''sucatas'', adquiridos em condições ruins e aqui são restaurados.
No Auto Show do Anhembi são oferecidos de 400 a 500 modelos, um aumento de 20% na comparação com cinco anos atrás, quando o evento começou. Na Private Collections, que recebe os modelos em consignação, o mais caro à venda era um Rolls-Royce 1957, importado este ano dos EUA, vendido ontem por R$ 500 mil.
Diante da demanda crescente, a Kalu Import, oficina instalada no Jardim Tremembé, zona norte de São Paulo, entrou no ramo de carros antigos há três anos e hoje metade das atividades da empresa é ligada a esse segmento. ''Achei que seria um ramo promissor'', conta o proprietário Carlos Antonio Mathias, de 55 anos, na atividade desde os 17 anos. Especializada em funilaria e pintura, a Kalu tem hoje 16 carros antigos sendo reformados e 10 estão na fila de espera para serem recuperados.


